05 novembro, 2013

Irremediavelmente eu.

Caiu a neblina lá fora, o cenário já visto e lido tantas vezes antes por fim voltou. É hora de escrever.
Na verdade queria escrever um poema muito bonito, mas poemas não são meu forte. Meu forte, e meu fraco, é vomitar em frases longas tudo o que dói aqui dentro. Não só o que dói, o que reflete, o que ilumina. Mas principalmente as coisas que doem, porque essas não são exaladas em sorrisos que iluminam o dia, a semana, e sim são transfiguradas em lágrimas que levam pra longe a luz enquanto só escurece, e é tudo meio noite.
No poema eu queria mostrar dois lados, o lado da menina (vamos fingir que não sou eu) que chora, sofre, tem pesadelos e ainda muito amor dentro de si. E também o lado da menina que quer seguir o conselho que deram a ela, um conselho sábio e que foi dito de todas as formas possíveis. Brilha! Volte a se apaixonar por você, se reencontre, reencontre as coisas que te amam e te faz feliz. E ela mais do que tudo ta lutando pra isso, e quer sorrir, quer encontrar essa paz zen-budista que tanto falava antes. Mas a menina também chora, de saudade, de amor, de não saber o que fazer, de sentar no sofá e gritar, chorar.
Essa menina nunca soube o que era o amor na forma real, nunca tinha tirado o amor do papel. Até que um dia perguntou se alguém pulava com ela, e ele pulou. Encantada com a realidade do seu sonho e a razão de sua vida, o amor, viveu intensamente por muito tempo.  Muitas gargalhadas gostosas lhe encheram os ouvidos, muitas noites de conversas nas quais explicava pra ele que só trabalhava com a verdade. Muita risada pelo o que ele deixava escapar da boca quando nem no segundo encontro estavam ainda. Na saudade que descobriu quando se aventurou num amor quinzenal louco, sendo dilacerada pela falta, que estava descobrindo. Junto com a primeira noite compartilhada, a primeira trip, a primeira pessoa que só de estar perto dava a certeza de que qualquer problema, qualquer obstáculo poderia ser superado. A menina que escreveu sobre declarar amor e tentou descrever durante toda a duração deste o que sentia, obviamente nunca conseguindo. E sempre gritando que TE AMO nunca diria o suficiente. Sempre assustada, junto com ele, sobre aquela paixão que nunca parava de crescer. "Absurdo" qualificaria muita coisa.
A menina, seguindo todas as coisas que afirmavam quem era, obviamente nunca pensou no possível fim. No máximo imaginava que se acabasse seria pelo amor, que já teria sido todo explorado, e dele só sobraria o carinho. Sempre sonhadora essa menina.
Acontece que de repente se viu obrigada a parar esse sentimento. Aquele mesmo que dia após dia, durante muito tempo, nunca parou de se expandir. Não havia acabado o amor, o amor não foi embora, abaixou as portas, fechou negócio. O amor ficou lá, e agora, o que fazer? Pensou ela que ou viveria com ele pro resto da vida, lhe assombrando quem sabe, ou mataria este amor dentro dela. Pensou que matar amor seria horrível, porque ficaria a carcaça ali, apodrecendo, nunca indo embora. Todos os amores "não reais" de antes haviam ido embora, mas o que fazer quando ainda havia amor e ele se recusa a ir embora? Não quero matar, nem se quisesse poderia. É o que dizem, essa menina é uma irremediável e dramática romântica.
Tentando seguir em frente, entre choros, e a busca por si mesma em um café, no dia em que o tempo combinou com sua alma acabou por perceber o quão frágil era, tentando ser forte, franca e tudo aquilo que era, tudo aquilo que se encorajava voltar a ser.
Sempre preocupada com o outro, com a dor, com o cuidar, o não mentir, o não fazer mal. Percebendo que tudo o que ela era antes, a menina sonhadora, que se recusava a mentir para qualquer um, que sempre queria o bem e criticava o ego do menino, era tudo o que havia perdido e a levava para onde estava. Perdida, entre a esperança que não consegue deixar morrer, junto a procura pelo seu eu, e as lágrimas que vem a noite, quando a saudade (igualzinha de quando tinha que suportar duas semanas sem ele) apertava forte.
As músicas, as frases, os livros tudo lhe gritando que o que é verdadeiro volta, mais forte, na hora certa. Deveria ela acreditar nisso, e permanecer com a esperança nisso até que um dia se realize ou um dia saia de seu coração por livre vontade? Se eu seguir o conselho de quem (logo quem!) no início de tudo disse para seguir seu coração, deve sim acreditar no amor, e na força dele. Na probabilidade dele voltar, de um dia se encontrarem em alguma esquina do mundo e explodir todo aquele amor. Mas essa menina é dupla face, ela também chora a noite, quando toda essa esperança vai embora e sobra espaço no abraço.
Ela pensa que tudo é mais difícil quando ainda há aquele amor ali dentro, que não morre, e se obrigada a matá-lo ficará a carcaça, o fantasma. Ah, essa menina. Complicada nunca deixou de ser, mas também não precisava evoluir... Ou precisava?
Como já disse uma vez, Deus (ou o Diabo) quis fazê-la assim: drasticamente Caroline.
No meio de tantas esperanças, amanheceres, e desejos de "que seja doce", as noites de insônia, os soluços, os pesadelos não a abandonam. Isso é transição? "Vai passar, deixe estar"???
Ele disse pra ela, lá atrás, "SIGA O SEU CORAÇÃO E ESTARÁ CERTA NO QUE DECIDIR", ele disse quando ela perguntou se ele pulava "JÁ PULEI". Será que ele tá seguindo o coração dele? Mas é óbvio que ela quer saber o que se passa na mente dele. Ela continua ela, irreversivelmente curiosa, e mesmo sendo enrolada, não desistindo nunca das respostas de suas perguntas.
Ela nunca passou por isso, e não tem ideia do que fazer. Mas está lutando diariamente, embora algumas lágrimas a vençam vez em quando, para seguir o último conselho que ele a deu, VOLTAR A SER QUEM ERA NO INÍCIO. Certamente ela sabe que este é o caminho e o conselho mais sábio, e sem dúvidas corre atrás disso.
Sem dúvidas estamos falando da mesma garota de 1 ano e alguns meses atrás. Qualquer um que vê nos olhos dela o brilho de prosperar e dedicar-se a si mesma vê também que há esperança neste brilho. E ela responde meio choramingando que sim, não pode negar. Não sabe mentir, não sabe ser nada além de frágil e cheia de fé nas coisas e nas pessoas.
A menina de antes, toda cheia de si querendo convencê-lo do seu papo budista, ainda vive. E ela comemora, até sorri por vezes faz até piada, mas o amor não dado continua ali no cantinho, choramingando quando vê a neblina que reside nela cair sobre o dia lá fora. E ela chora, mas já que jurou voltar a ser como antes, continua com a esperança doída de que no final das contas, o conto de fadas acontece.
Antes disso tudo era ela, sozinha, com esse olhar excepcional sobre o mundo, meio incompreendida (coitada!). Aí ela encontrou ele, um companheiro. Agora não sabe o que faz, o que pensa, no que deve ou não acreditar. Mas induvidavelmente ela, acreditando em sunshine lollipops and rainbows.

Assinado: Irremediavelmente, EU!


01 outubro, 2013

Remar, re-amar, amar

de Caio Fernando de Abreu


"Já não sei dizer se ainda sei sentir. O meu coração já não me pertence, já não quer mais me obedecer! Parece agora estar tão cansado quanto eu. Até pensei que era mais por não saber que ainda sou capaz de acreditar. Me sinto tão só e dizem que a solidão até que me cai bem. Às vezes faço planos, às vezes quero ir para algum país distante e voltar a ser feliz! Já não sei dizer o que aconteceu se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu. Se meu desejo então já se realizou o que fazer depois, pra onde é que eu vou?
Eu vi você voltar pra mim; Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica, o que for. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças!Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar."

28 setembro, 2013

"Faça Desse Drama" - 5 A SECO


"Onde a curva do amor findar
Corte que não quer fechar
Ande onde a onda te levar
Se naufragou, faça desse drama sua hora"





da série: falando sozinha (por escrito) pra variar

Olá maldito blog ao qual tenho me escondido mesmo sob a promessa de jurar escrever. Gostava mais de você quando eu sentia algo que mesmo ruim eu gostava de encarar e tornar poesia, ou então lixo virtual. Sabe, quando eu sabia o que sentia pelo menos, pra poder escrever e ainda sair algo drasticamente "bonitinho". Acho que antes se baseava um pouco no pensamento de me expôr, mas não importar tanto. Talvez porque eu não queria esconder algo ou alguém, mas sim escrachá-lo. To começando a achar que não existe mesmo essa coisa de escrever sem se doar por inteiro. Ou escrevo expondo tudo e todos com os quais me relaciono e sou sincera no que digo, transformando os versos em verdade, e portanto beleza. Ou escondo, e só, porque nada sai da dor que não é exclamada. O problema nem é mesmo me expor, gosto de ser assim: TRANSPARENTE, o problema é não falar só de mim. Tô aqui pensando, saia o que sair dessa madrugada será que vou ter a coragem de mostrar? Como muitas outras coisas em mim, essa coragem impensada também já foi embora.

Um dia eu namorei um garoto que não gostava, não o fiz por interesse nem nada que me torne muito má, mas o fiz. O fiz por motivos que qualquer garota que escreva coisas emo no blog como eu escrevia na época poderia adivinhar. Quando sai dele jurei pra mim mesma que só namoraria dali em diante com uma pessoa em que eu pudesse olhar nos olhos e não deixar de dizer "eu te amo".  -- Sim, é óbvio que isto aqui está dramático, afinal ainda estamos falando da menina que fundou esse blog há uns aninhos atrás e escrevia coisas que mesmo se Clarice lesse cometeria suicídio (ah e sim, claro, e a mesma menina que faria uma piada intelectual ruinzinha dessa). Ps.: Não é a primeira vez que falo disso, mas: que saudade dessa menina!
Enfim, lá estava eu com 17 aninhos só querendo me comprometer de verdade se fosse capaz de sair de uma camisa de força para fazer isso. Acho que foi aí que surgiu minha filosofia descoberta ante-ontem sobre "ninguém pegar uma condução que só vai até metade do caminho". Sim, quando disse isso me perguntaram: "mas com dezoito anos você já quer estar com quem vai se casar, conhecer o amor da sua vida?" Bom, eu pensei, se for pra estar com alguém sério aos dezoito, dezenove ou trinta: sim, que seja com a tal condução que atravesse o lago, a ponte, o tapete vermelho inteiro. É claro que ter a certeza que esse amor e essa pessoa durará pra sempre é impossível, mas o que posso fazer senão a minha parte de acreditar e tentar, esperar pra ver se o universo é a favor?! É claro que se um homem que tenha interesse em mim, ou meu namorado ("OI AMÔ!") ler isso vai achar que sou louca e então vai perder o interesse em um instante.

AVISO IMPORTANTE: Sexo oposto que possa vir a ler isto: não quero que me prometa nada, só vai dar certo se fizermos o dever de casa direito. Mas acredite, se você já está nessa "ponte" é sinal que foi o eleito, ou quem sabe" um dos" (caso haja um primeiro, e não for o tal) e que tem o peso de uma nanica de 1,55cm em cima de você!  - Peço carecidamente que imaginem meu rosto no cartaz do Tio Sam. :)

Observação importante de pensamentos idiotas no meio de um texto deprê-pensativo-emo-típico, caso eu venha publicar isto: PARABÉEEENS CAROLINE, você está expondo sua bunda como nunca antes na história da sua vida!

Voltando a parte angustiante e triste da vida, que me move a escrever: relacionamentos. Depois de assustar todos e assumir uma imagem ruim (que tá errada!) perante conhecidos com os quais tenho contato, volto à questão: será que sou muito louca, ou dá pra eu me tratar?! Um dia, quando eu tinha uns 14 anos e tava sofrendo pelo meu grande amor platônico escrevi algo do tipo em um caderno velho: "será mesmo possível encontrar o amor da sua vida com 14 anos?"  Alguns aninhos à frente e cá estou eu. Se eu quisesse ser atriz teria uma bela carreira no México. Mas não nasci pra isso, e também não nasci pra ser comediante, nasci pra escrever, e o meu melhor gênero é um bem fodido: fossa.

Sabe, pode ser só um lado romântico estúpido e silenciado que esteja falando por mim, mas que razão há em embargar pra soltar no meio do mar? Pior ainda eu que não sei nadar nem no sentido conotativo da coisa. Me assusta ser radical quanto a essa ideia, mas não me parece prudente me comprometer pra isso sem ansiar algo maior. Se não for pra levar pra vida ao ladinho e de mãos dadas, que seja passageiro e sem a burocracia de um assustador namoro. Essa palavra me espantou bastante antes de começar a namorar, e mesmo agora continua com peso para mim.

Eu queria mesmo era escrever um poema beeem bonito sobre essa condução, que se parar no meio não assume função alguma, mas não pude ainda. Com toda certeza eu preciso encarar muito ainda todo esse mar e esse barquinho pra escrever sobre ele com verdade, porque é só assim que sei escrever. Sendo escrachada, peitando alguns muitos e vários receios.

E isto e esta sou eu usando o blog como um "diário" de verdade, porque como diário sempre usei em meio a pseudônimos, eufemismos e metáforas, o que faz quem me lê rápido me afastar do problema, e só me enxergar como criadora de versos. Ah, se toda vez que lermos um bom poema cairmos na besteira e epifania de imaginar o que se passava...!

Não to aqui pra escrever sobre o fim do lago, não to aqui pra explicar as náuseas da viagem nem dizer que tô me afogando. Nem sei o que estou fazendo e minha cabeça está gritando que sou imbecil. Mas é isso aí, ao infinito e além desde que seja rumo ao universo em que acredito! ;)



Observação final.: sim, eu escondo meu reais sentimentos (ou parte do peso deles) sob piadas horríveis pra diminuir o impacto deles. Mas acredite, quando eu rio eu realmente tô tentando ou até mesmo vendo a graça. Também já disse isso em um texto, há um ano ou pouco mais: "comigo? comigo tá sempre tudo bem!".




20 julho, 2013

A menina pintora

A menina calada pinta a boca de vermelho
a menina que nada fala pinta a saída da alma em meio a devaneio
a menina que tudo observa admira com olhos atentos
a mesma tal menina expõe com pinceladas o que vem de dentro

A menina é retida, contida, esparramada
a menina é, creio não haver melhor palavra: estabanada
chora com a alma, sente com os olhos, se atrapalha com os pés
e mesmo sem saber, entender ou deter, se adapta às marés

Ela fala, e disfarçada, se destaca da massa
a moça-menina tão distraída enquanto passa
e enquanto resiste, e enquanto persiste
a moça-menina que enquanto sonha, existe!

02 abril, 2013

O Tom do amor - Paulinho Moska



O amor vai te contar um segredo
Não precisa ter medo
Nem sair correndo
O amor nasce pequeno
Cresce, fica estupendo
Às vezes o amor está ali
Você nem tá sabendo
O amor tem formas, formas, aromas,
Vozes, causas, sintomas
O amor...
É mãe, é filho, é amigo,
Às vezes num canto esquecido existe amor
Antigo, antigo
O amor que cuida, parte e assusta
Que erra e pede desculpas
Às vezes o amor quer ferir
E se cura doendo
O amor tem formas, formas, aromas,
Vozes, causas, sintomas
O amor...
É pausa, silêncio, refrão
E explode nessa canção
O amor vai te contar
Um segredo, fica atento, repara bem
Que o meu amor é todo seu
Antigo.

A Fórmula do Amor



Noradrenalina, dopamina, ocitocina, serotonina:
 "O amor foge de todas as explicações possíveis".

E se este assunto sem pé nem cabeça tanto nos intriga, nós que somos por vezes tão fé, tão emoção, tão abstratos, imagina aqueles que se baseiam na ciência para explicar cada milímetro de tudo?! Pois é, procura-se a tal fórmula do amor!
Neste vídeo é explicado usando principalmente hormônios o que acontece dentro da gente quando nos apaixonamos, e não é que a ciência confirma as borboletas no estômago?
Neste vídeo descobri muitas coisas que nunca imaginei! Sabiam que o cérebro de um apaixonado é MUITO semelhante ao de um usuário de cocaína? O vídeo explica como isso acontece e diz perfeitamente a sensação que temos ao nos apaixonarmos. E sabe a parte boa? Essa sensação pode durar por décadas (um amor pra vida toda!). 

A verdade é: WE LOVE BEING IN LOVE! Vamos ver como isso acontece?!



Ps.: Caso as legendas não apareçam, basta ativá-las no menu inferior do vídeo.



"(...) A verdade é que a ciência ainda sabe muito pouco sobre exatamente porque ou como o amor funciona. E ainda de alguma forma, nós todos parecemos saber isso quando nós o sentimos!"

28 março, 2013


a alma chora
o choro respinga
quem agora está gritando
a mulher ou a menina?

10 março, 2013

Quando eu me for, me chame


Se eu for embora, se eu sair, se eu faltar: me chama
Se eu chorar, se eu argumentar, se eu tentar: me ouça
Eu tenho uma necessidade infantil de ir embora para que sintam minha falta

Olha, não tenho orgulho, te grito quantas vezes precisar
Mas se alguma vez nos virarmos as costas e eu não te gritar: me grite!
Me grite porque mora em mim uma insegurança estúpida que faz disso necessário
Que faz do sentir a minha falta, do me chamar, do me procurar: seguro!

Se eu for embora, se eu não voltar
Como ato inusitado, como inesperado
Espero insegura que me chames

Para que eu possa sentir
Para que eu possa confirmar
Para que eu tenha a certeza que não só sinto falta, mas a faço

Para que esse medo idiota de ser indiferente me abandone
Porque, olha, é tão ruim quando não me chamam
Quando não me sentem falta
Quando para comigo não me qualifica o "indispensável"

Se um dia eu for embora, virar as costas, mas sem parar de falar
Se um dia em for, se um dia eu for e não mais voltar
Me busque, estarei na esquina engolindo os soluços frustrados
Estarei na calçada percebendo a falta que não faço, com os olhos marejados

08 março, 2013

Dia Internacional da Mulher

"Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Uh! Uh! Uh! Uh!..."




O Dia Internacional da Mulher, embora tenha perdido parcialmente seu sentido original ao longo dos anos, foi adotado pelas Nações Unidas para lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres. Porém o que temos hoje em dia é a deturpação desta data, adquirindo um caráter festivo e comercial.
O que ouvimos falar hoje nesses "oitos" de março são palavras gentis e delicadas que evocam o potencial emocional e femino da mulher, mas será que é o bastante a se fazer numa data que foi conquistada com tanto "suór"?!
Mulheres foram queimadas por ordem da igreja católica por serem mulheres. Mulheres não podiam trabalhar fora de casa por serem mulheres. Mulheres não podiam ocupar jamais o lugar de um soberano...  Por serem mulheres! POR FAVOR, GALERA, hoje em dia já que somos todos mais (não o suficiente, masss) esclarecidos do que éramos há séculos, me respondam: HÁ SENTIDO NISSO?
Eu poderia dizer, e talvez até diga, milhares de palavras gentis e carinhosas a cerca de ser mulher, mas me dói a ideia de deixarmos de lado um debate tão rico como este que se perde ao longo do tempo, em cada oito de março que passamos ao ganharmos rosas na rua.
Os anos estão se passando e nós mulheres, que me leem e provavelmente estão na mesma faixa etária que eu, vamos entrando no mercado de trabalho, ganhamos bagagem de vida, experiências, vimos coisas, presenciamos as mais diversas cenas e vimos que há um mundo machista lá fora. Um mundo no qual se sairmos de shorts curtos em um dia quente, ou não necessariamente, estamos dando direito aos outros de nos verem com olhos mal intencionados. Onde usar uma saia curta ou um decote é como andar com uma placa de "estuprem-me". Todas nós devemos ter bom senso, todas nós "devemos" saber o que cada ação provoca (ainda que não seja razoável) dentro do contexto em que nos encontramos, mas isso inclui TODOS, sejamos nós homens ou mulheres.
A primeira presidente mulher foi eleita no Brasil, visto assim, tão pouco, mas quando olhamos ao redor e vemos que é a primeira mulher no poder em anos, nos perguntamos: por que demorou tanto? Pois é, país, por quê?
Meu discurso talvez soe meio, ou muito, feminista, confuso ou qualquer coisa do gênero, ainda que não tenha uma ideia formada sobre vários dos assuntos que citei neste texto. Entretanto, sou só alguém que hoje, oito de março, viu de forma diferente esta comemoração, que vibrou pelas conquistas, e desejou fazer parte de muitas outras que virão, terão que vir! É o chamado e clamado progresso!
A diferença de gênero é irreparável, mas a diferença deve ocorrer somente aí. O que somos, o papel que ocupamos, o que fazemos, não deve ser ditado por ter ou não um brinquedinho entre as pernas, mas sim pelas pessoas, profissionais que somos, que seremos. Deixemos que a capacidade cognitiva responda por nós, e não nosso sexo, timbre de voz, músculos ou testosterona.
Hoje ao andar pela rua sorri por várias vezes ao ver homens carregando flores para, o que presumo ser, suas mulheres. Acho bonito, delicado, gentil. E é mesmo! Sou de acordo ao exaltarmos a feminilidade neste dia de hoje, afinal mulher é um ser tão mágico, com sua natureza materna, com suas especificações tão diferentes das dos homens. Ser mulher não é sangrar uma vez por mês, não é andar de salto alto ou ter que tirar a maquiagem quando chega cansada da festa. Ser mulher fica um pouco - MUITO - além disso.
Parabéns a todas as mulheres pelo dia de hoje, e que não se esqueçam nunca que a rosa que ganhamos hoje significa um pouco mais do que a delicadeza, mas também a garra que tivemos e temos, e continuaremos a ter (amém) ao longo dos anos, mostrando que ter cólica menstrual não é pra qualquer um!
Que na fogueira não queime mais bruxas, mas sim a desigualdade e preconceito oriundos da diferença de gênero.


01 março, 2013

Porque amar sem Vinícius é amar sóbrio demais



Soneto do Amor Total 
(Vinícius de Moraes)


"Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude. "


Meu soneto preferido de Vinícius.
E na foto: mon amour!

18 fevereiro, 2013

Felicidade pela tristeza

Ás vezes fico triste. Fico triste e sei que posso dar a essa tristeza um quadrilhão de nomes, desculpas, porquês. É o fim da escola, é o não passar no vestibular, é o pai, a mãe, a tpm e o falatório do mundo em volta. Porque o mundo, olha o mundo... é de uma poluição sonora horrenda! Eles gritam, cantam, batem, martelam, perfuram, espremem, cortam, lixam, morrem. Morrer é silencioso. Imagino que quando a gente morre o espetáculo tem tempo diferente pra gente, uma perspectiva quietona, lerdona, tipo novela. Acho que morri. Morro muitas vezes, mas morro sempre que vejo que não há desculpas pra esse nózinho na garganta doído que aparece de repente. É uma tristezinha que tem seus tipos, e esses tipos me estapeiam na cara atônita, na cara cansada, com a face arruinada, calada, morta.
Essa minha imensa mania de ser eu me cansa. Tão mais fácil ser outro. Outras preocupações, outras pessoas, outras vidas, afazeres. Se ocupada, atolada. Se vazia, entediada. Um escritor, cujo nome não me lembro, muito menos a citação exata, disse isso. É preciso ter o amargo para valorizar o doce, e vice-e-versa. É essa nossa eterna mania de pôr a felicidade inalcançavelmente longe do toque. Tem outro poeta que disse isso, Vicente de Carvalho:


"Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada:
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa, que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim : mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos."

 

Sei lá onde estou onde pus a danada, tô procurando, vou achar! Porque creio que felicidade mora em cristaizinhos pequeninos, cada coisa, cada gesto, cada pessoa nos traz um pouco de felicidade e estar feliz é conseguir o arranjo sincronizado e harmônico do todo, montar esse tal monumento da felicidade geral com estes cristaizinhos. Satisfação.

12 fevereiro, 2013

"José"

Poema de Carlos Drummond de Andrade,
 poema que mareja os olhos do José que vive em mim, em todos nós.
E que cutuca o coração do José que não continua,
 mas também não morre.




              "E agora, José?
              A festa acabou,
              a luz apagou,
              o povo sumiu,
              a noite esfriou,
              e agora, José?
              e agora, você?
              você que é sem nome,
              que zomba dos outros,
              você que faz versos,
              que ama, protesta?
              e agora, José?

              Está sem mulher,
              está sem discurso,
              está sem carinho,
              já não pode beber,
              já não pode fumar,
              cuspir já não pode,
              a noite esfriou,
              o dia não veio,
              o bonde não veio,
              o riso não veio
              não veio a utopia
              e tudo acabou
              e tudo fugiu
              e tudo mofou,
              e agora, José?

              E agora, José?
              Sua doce palavra,
              seu instante de febre,
              sua gula e jejum,
              sua biblioteca,
              sua lavra de ouro,
              seu terno de vidro,
              sua incoerência,
              seu ódio - e agora?

              Com a chave na mão
              quer abrir a porta,
              não existe porta;
              quer morrer no mar,
              mas o mar secou;
              quer ir para Minas,
              Minas não há mais.
              José, e agora?

              Se você gritasse,
              se você gemesse,
              se você tocasse
              a valsa vienense,
              se você dormisse,
              se você cansasse,
              se você morresse...
              Mas você não morre,
              você é duro, José!

              Sozinho no escuro
              qual bicho-do-mato,
              sem teogonia,
              sem parede nua
              para se encostar,
              sem cavalo preto
              que fuja a galope,
              você marcha, José!
              José, para onde?"

06 fevereiro, 2013

Sobre músicas fofas na madrugada



Há algum tempo atrás, depois de assistir um bom filme teenager americano ou então ouvir uma bela música fofinha eu podia ficar por horas parada, imaginando um amor impossível, um amor platônico, um futuro recheado das mais diversas cenas dignas de filme americano, de comédia romântica pra ser mais exata.
O tempo passou, deixei de assistir boa parte desses filmes, fui vivendo a parte da "desilusão amorosa" do roteiro. Desacreditando, preferindo procurar e acreditar numa realidade mais fria, mais racional, menos sonhadora, detalhista, sorridente e apaixonante. Convenci eu mesma a deixar de lado os sonhos utópicos, as vezes em que rolava na cama antes de dormir imaginando mil e uma situações. Acabei por ganhar de mim mesma na batalha, o lado um-pouco-mais-realista ia tomando espaço, plantando e enraizando suas ideias.
Hoje essas músicas, esses filmes continuam ainda a mexer comigo. Hoje no final feliz de cada um desses filmes, quando toca uma música feliz e animada para nos convencer de que o filme foi ótimo e adoramos, eu sinto um aperto enorme. Talvez eu pudesse dizer que é saudade, mas não é. Ou não, é só saudade. Hoje no fim de cada filme ou no percurso melódico de cada uma dessas musiquinhas apaixonantes, sinto dentro de mim a agonia de não conseguir externar o suficientemente o que sinto, não conseguir (nem mesmo gritando) dizer alto o bastante o que sinto. Entender, nomear, rotular, explicar, exemplificar, justificar.
Hoje, em cada momento desses que para  mim já significaram tantos outros sentimentos mais, sinto a agonia de amar. Sim, porque amar é agonia pura. É aquela coisa chata (porém amável) que se instala em você e não te permite etiquetar ou externar. Hoje, a cada musiquinha fofa que ouço tocar na rádio eu penso em você, e como não sei nada de nada. Mas que também não quero saber, por mais que eu queira, e quero, e quero muito! Eu fico aqui pensando, agoniada, suspirando, variando entre os pensamentos. Que bicho me mordeu? Poderia jurar ter sido um zoológico inteiro! Mas não há bicho, não há razão, não há nem palavra que complete ou nomeie. Poema, texto, imagem, frase ou gesto. E isso só cresce, e cresce. E eu? Eu só agonizo, agonizo, e me torno casa desse monstruoso amor. Mas amor também não é a palavra, não é o bicho.
Às vezes, e isso acontece com alguma frequência, nem o verbo amar me parece suficiente, nem se gritado. Parece tudo tão grande, alegórico e conhecido. Mas mais uma vez, não é. Se algo aqui é, se algo aqui existe, é essa agonia do "eu te amo" não expressar o suficiente.
Continuo na busca, quero achar algo que diga tudo. Que se encaixe, mas sem fronteira, pro bicho crescer em paz, até me explodir se preciso. Mas continuo na busca, quero achar essa palavra, gesto ou esse ovni que vá representar meu amor, meu bicho, minha agonia.
Eu te amo, e mesmo isso não sendo o suficiente para dizer tudo o que quero, é, por ora, o melhor que eu tenho pra te dizer agora.

01 fevereiro, 2013


Outro dia entre a correria e mais correria causada por motivos de: ser enrolada, aconteceu algo muito interessante e que agora junto ao que acaba de me acontecer, não posso deixar de contar a quem me lê. Leitores invisíveis que acabo de constatar que existem. Sim, você aí que me lê, eu tenho dúvidas da sua existência!

Lá estava eu, sendo fodida ferrada pela burocracia infernal de um cartório. Choramingando ao carinha que me atendia para que conseguisse abrir uma maldita firma em meu nome. Enquanto tagarelava e enchia o ser de desespero, eis que o bendito diz: "Olha, eu sei que você é gente boa. Eu te conheço e tal, mas não posso fazer, sua identidade tem que estar em dia...".
Depois de mais uma dose do chororô pela validade da minha carteira de identidade é que caio em mim e me pergunto: "Como assim me conhece?! Nunca o vi mais burocrático!".
Foi quando de tanto insistir ao perguntar de onde conhecia o carinha que estava me atendendo e me fazendo choramingar pela identidade vencida, ele disse: "Você não é dona daquele blog, Uma Louca Pede Help?".
Gente, vocês tem noção do que foi isso? Alguém, de quem nunca vi o rosto, de repente ao me atender no cartório me reconhece pelo blog? Ok, vocês não devem saber o que é isso, ou o que isso provoca em mim, mas sei que fiquei boquiaberta. Alguém "reconhcendo" meu trabalho... Ok novamente, isso de trabalho não tem nada, não ganho por isso, escrevo por prazer, mas olha, fiquei pasma, muito feliz. "Três anos e um desconhecido me reconhece na rua. Nada mal, Caroline!".

Hoje casualmente uma amiga falou do meu blog, e de como ela acha que escrevo bem. Acho incrível receber elogios sobre o que escrevo, meus escritos são a parte de mim mais verdadeira e exposta que alguém pode conhecer. Mas quando esse elogio vem de alguém próximo, de alguém que não tem o costume de ler o que escrevo no blog pela obrigação de me ser próximo, parece que pesa mais.
Já fiz amigos virtuais e amigos reais que me foram dados pelas palavras que aqui posto. Nada como a sua alma transfigurada em versos públicos para que alguém se identifique e compartilhe da dor, do amor, ou do vazio. Aos amigos que me leem, um imenso obrigada. Não to me achando nada por favor, mas tenho que agradecer aos que me leem. Não que estejam prestigiando um grande poema, um belo texto, mas estão me encorajando a escrever, a continuar. Escrever é uma forma de se contornar, se conhecer, usar do tato intelectual, mas se não houvesse público talvez eu não escreveria. Talvez eu não sentisse a necessidade de me por em frente a folha em branca e tratar com honestidade o que sinto.
Hoje recebi um dos elogios mais lindos que em 3 anos de pseudo-blogueira já recebi, deixo ele guardado aqui. E que eu escreva e possa tocar ainda mais amigos, seja com lágrimas, esboços de sorrisos ou gargalhadas (acho que nunca), é muito saber que alguém do outro lado pode se identificar e se emocionar com algo tão meu.

"Então, sabe quando alguma coisa tem aquele "gostinho de casa"? Aquela sensação de conforto e tranquilidade, o tipo de coisa que a gente só da atenção realmente quando volta a dormir no nosso proprio quarto depois de seculos viajando? Acho que ja faz tanto tempo que me acostumei com o que voce escreve, que cada palavra lida me traz essa sensação. Cada texto se encaixa nas minhas situações de uma forma tão suave... Mesmo se as vezes eu passar meia eternidade sem ler ou ouvir uma palavra sua, é só ir pro seu blog que cada frase, versoou vírgula que seja carrega sua voz, seu olhar sério mas que, no fundo, traz aquele brilho sonhador, brilho de menina-mulher, brilho de esperança. Por isso que o que voce escreve sempre me deixa inspirada, é porque vem de você. Ok, nunca fomos muito próximas, mas dizem que quando alguém escreve assim, as palavras saem do coração, e o seu olhar transmite isso. Por isso sinto que conheço voce mais intimamente, apesar de nunca ter muita coragem pra aprofundar uma conversa, ou nossa amizade. Minha timidez ainda lança barreiras ao meu redor.. Enfim, sua escrita é terrivelmente adoravel, voce tem um olhar detestavelmentee inspirador, e é uma pessoa que me traz esperança. Esse é um dos momentos em que eu precisava de esperança, e voce me trouxe isso mais uma vez, mesmo sem querer. Obrigada por isso, e obrigada por escrever tão bem. E eu espero ter feito algum sentido." Um "Oi, muito obrigada" especial pra Bruna Burgos (que fez o comentário acima), para Miriam Paim (uma fofa que esbarrei na internet por causa do blog) e pra Isabelle Freitas (a chata mais chata do mundo, que espalha meu blog pra todo mundo e me faz mais feliz ao descobrir "admiradores" pro ái)!

13 janeiro, 2013

A paixão

Um dia, nos primeiros dias, aqueles em que as janelas acordavam embaçadas, friozinho ameno, temperatura local, eu acordei. Acordei atordoada no meio da noite, com uma saudade que não me pertencia. O corpo do meu lado, tão perto, me saudava como quem andou longe por tempo demais. As saudades me foram tomando, fiquei acordada noite a dentro. De repente me doía a ideia de adormecer e perder seu sono profundo, sua respiração sem ritmo, seu semi sorriso tranquilo. Te abracei, aninhei meu corpo o mais próximo possível enquanto aquelas saudades inesperadas doíam cada parte do meu eu.
Aquele dia, enquanto dormia e eu vigiava o seu sono, pensei em escrever. Em levantar dali e ver se aquela revira volta no meu eu, na minha dor, poderia e deveria se transformar em escrita, tomar forma em letras, se aconchegar em versos. Mentalmente produzi rascunhos, todos horripilantes, ansiosos, angustiados. Eu não sabia o que estava sentido, se era bom ou se era ruim. Se deveria me afastar, conter, minimizar ou se deveria deixar. A dor foi cessando, o sono chegou de fininho driblando o desespero que significava perder tempo dormindo ao invés de admirá-lo.
O desespero, a ânsia e a saudade naquela noite se instalaram em mim, da forma selvagem e doída que foi. Vi por outras lentes o medo, o querer e a saudade me transformarem brutalmente em amante. Não era mais eu ali, no meu corpo morava mais alguém. A minha alma remendada se uniformizou, e então ali morava eu e você. Você representando o querer infindável, a saudade dolorida e a ânsia urgente.
Naquela noite de inverno quando acordei com saudades e não soube explicar o que me acontecia enquanto me era tomado o pensamento lógico, me foi concebido você. Quando acordei já de manhã não havia mais nada a fazer, eu havia acordado dentro de mim uma centelha altamente inflamável, que desde sua primeira fagulha não quis mais se apagar. Naquele dia eu acordei, mas não só. Naquele dia acordamos, e como se soubéssemos o que fazer abracinho confirmamos em segredo e em silêncio o fenômeno ocorrido na madrugada. De repente eu estava perdidamente apaixonada.


"A paixão (do verbo latino, patior, que significa sofrer ou suportar uma situação dificil) é uma emoção de ampliação quase patológica. O acometido de paixão perde sua individualidade em função do fascínio que o outro exerce sobre ele. É tipicamente um sentimento doloroso e patológico, porque, via de regra, o indivíduo perde parcialmente a sua individualidade, a sua identidade e o seu poder de raciocínio."
Fonte: 
Wikipedia (paixão)