28 setembro, 2013

"Faça Desse Drama" - 5 A SECO


"Onde a curva do amor findar
Corte que não quer fechar
Ande onde a onda te levar
Se naufragou, faça desse drama sua hora"





20 julho, 2013

A menina pintora

A menina calada pinta a boca de vermelho
a menina que nada fala pinta a saída da alma em meio a devaneio
a menina que tudo observa admira com olhos atentos
a mesma tal menina expõe com pinceladas o que vem de dentro

A menina é retida, contida, esparramada
a menina é, creio não haver melhor palavra: estabanada
chora com a alma, sente com os olhos, se atrapalha com os pés
e mesmo sem saber, entender ou deter, se adapta às marés

Ela fala, e disfarçada, se destaca da massa
a moça-menina tão distraída enquanto passa
e enquanto resiste, e enquanto persiste
a moça-menina que enquanto sonha, existe!

02 abril, 2013

O Tom do amor - Paulinho Moska



O amor vai te contar um segredo
Não precisa ter medo
Nem sair correndo
O amor nasce pequeno
Cresce, fica estupendo
Às vezes o amor está ali
Você nem tá sabendo
O amor tem formas, formas, aromas,
Vozes, causas, sintomas
O amor...
É mãe, é filho, é amigo,
Às vezes num canto esquecido existe amor
Antigo, antigo
O amor que cuida, parte e assusta
Que erra e pede desculpas
Às vezes o amor quer ferir
E se cura doendo
O amor tem formas, formas, aromas,
Vozes, causas, sintomas
O amor...
É pausa, silêncio, refrão
E explode nessa canção
O amor vai te contar
Um segredo, fica atento, repara bem
Que o meu amor é todo seu
Antigo.

10 março, 2013

Quando eu me for, me chame


Se eu for embora, se eu sair, se eu faltar: me chama
Se eu chorar, se eu argumentar, se eu tentar: me ouça
Eu tenho uma necessidade infantil de ir embora para que sintam minha falta

Olha, não tenho orgulho, te grito quantas vezes precisar
Mas se alguma vez nos virarmos as costas e eu não te gritar: me grite!
Me grite porque mora em mim uma insegurança estúpida que faz disso necessário
Que faz do sentir a minha falta, do me chamar, do me procurar: seguro!

Se eu for embora, se eu não voltar
Como ato inusitado, como inesperado
Espero insegura que me chames

Para que eu possa sentir
Para que eu possa confirmar
Para que eu tenha a certeza que não só sinto falta, mas a faço

Para que esse medo idiota de ser indiferente me abandone
Porque, olha, é tão ruim quando não me chamam
Quando não me sentem falta
Quando para comigo não me qualifica o "indispensável"

Se um dia eu for embora, virar as costas, mas sem parar de falar
Se um dia em for, se um dia eu for e não mais voltar
Me busque, estarei na esquina engolindo os soluços frustrados
Estarei na calçada percebendo a falta que não faço, com os olhos marejados

01 março, 2013

Porque amar sem Vinícius é amar sóbrio demais



Soneto do Amor Total 
(Vinícius de Moraes)


"Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude. "


Meu soneto preferido de Vinícius.
E na foto: mon amour!