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05 outubro, 2014

Só de sacanagem

Elisa Lucinda

"Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam
entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo
duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus
pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e
eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança
vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança
vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o
aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus
brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao
conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e
dos justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva
o lápis do coleguinha",
" Esse apontador não é seu, minha filhinha".
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido
que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca
tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica
ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao
culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do
meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo
o mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse
o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu
irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a
quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o
escambau.
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde
o primeiro homem que veio de Portugal".
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente
quiser, vai dá para mudar o final!"

02 abril, 2013

O Tom do amor - Paulinho Moska



O amor vai te contar um segredo
Não precisa ter medo
Nem sair correndo
O amor nasce pequeno
Cresce, fica estupendo
Às vezes o amor está ali
Você nem tá sabendo
O amor tem formas, formas, aromas,
Vozes, causas, sintomas
O amor...
É mãe, é filho, é amigo,
Às vezes num canto esquecido existe amor
Antigo, antigo
O amor que cuida, parte e assusta
Que erra e pede desculpas
Às vezes o amor quer ferir
E se cura doendo
O amor tem formas, formas, aromas,
Vozes, causas, sintomas
O amor...
É pausa, silêncio, refrão
E explode nessa canção
O amor vai te contar
Um segredo, fica atento, repara bem
Que o meu amor é todo seu
Antigo.

17 abril, 2012

Entre aspas: Pálpebras de Neblina

"Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar. Andar e olhar. Sem pensar, só olhar: caras, fachadas, vitrinas, automóveis, nuvens, anjos bandidos, fadas piradas, descargas de monóxido de carbono. Da praça Roosevelt, fui subindo pela Augusta, enquanto lembrava uns versos de Cecília Meireles, dos Cânticos: "Não digas 'Eu sofro'. Que é que dentro de ti és tu? / Que foi que te ensinaram/que era sofrer?" Mas não conseguia parar. Surdo a qualquer zen-budismo, o coração doía sintonizado com o espinho. Melodrama: nem amor, nem trabalho, nem família, quem sabe nem moradia - coração achando feio o não-ter. Abandono de fera ferida, bolero radical. Última das criaturas, surto de lucidez impiedosa da Big Loira de Dorothy Parker. Disfarçado, comecei a chorar. Troquei os óculos de lentes claras pelos negros ray-ban - filme. Resplandecente de infelicidade, eu subia a Rua Augusta no fim de tarde do dia Tão idiota que parecia não acabar nunca. Ah! como eu precisava tanto de alguém que me salvasse do pecado de querer abrir o gás. Foi então que a vi. Estava encostada na porta de um bar. Um bar brega - aqueles da Augusta-cidade, não Augusta-jardins. Uma prostituta, isso era o mais visível nela. Cabelo malpintado, cara muito maquiada, minissaia, decote fundo. Explícita, nada sutil, puro lugar comum patético. Em pé, de costas para o bar, encostada na porta, ela olhava a rua. Na mão direita tinha um cigarro, na esquerda um copo de cerveja. E chorava, ela chorava. Sem escândalo, sem gemidos nem soluços, a prostituta na frente do bar chorava devagar, de verdade. A tinta da cara escorria com as lágrimas. Meio palhaça, chorava olhando a rua. Vez em quando, dava uma tragada no cigarro, um gole na cerveja. E continuava a chorar - exposta, imoral, escandalosa - sem se importar que a vissem sofrendo. Eu vi. Ela não me viu. Não via ninguém, acho. Tão voltada para a própria dor que estava, também, meio cega. Via pra dentro: charco, arame farpado, grades. Ninguém parou. Eu, também, não. Não era um espetáculo imperdível, não era uma dor reluzente de néon, não estava enquadrada ou decupada. Era uma dor sujinha como lençol usado por um mês, sem lavar, pobrinha como buraco na sola do sapato. Furo na meia, dente cariado. Dor sem glamour, de gente habitando aquela camada casca grossa da vida. Sem o recurso dessas benditas levezas de cada dia - uma dúzia de rosas, uma música de Caetano, uma caixa de figos. Comecei a emergir. Comparada à dor dela, que ridícula a minha, dor de brasileiro-médio-privilegiado. Fui caminhando mais leve. Mas só quando cheguei à Paulista compreendi um pouco mais. Aquela prostituta chorando, além de eu mesmo, era também o Brasil. Brasil 87: explorado, humilhado, pobre, escroto, vulgar, maltratado, abandonado, sem um tostão, cheio de dívidas, solidão, doença e medo. Cerveja e cigarro na porta do boteco vagabundo: carnaval, futebol. E lágrimas. Quem consola aquela prostituta? Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo? Vim pra casa humilde. Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu "dói tanto", contei da moça vadia chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou "porquê?", compreendi ainda mais. Falei: "Porque é daí que nascem as canções". E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?"



Caio Fernando de Abreu


05 março, 2012

Sou metal, raio, relâmpago e trovão

*Tive um sonho diferente dos que usualmente chamo de diferente. Sonhava que pediam pra me classificar  numa música da minha banda favorita. Eu pensava, pensava e qualquer faixa por mais linda que se chamasse era pequena demais, seria algo muito fechado, aí então lembrava desta e falava, é isso, essa é a frase! Isto que sou, porque isso quer dizer não apenas o que se escreve, mas o que a música remete. Eu sei, tolice, mas é que eu nunca tinha parado para ouvir esta música, não conhecia a letra e isso fez de tudo algo muito mais diferente e intrigante. "Sou metal contra as nuvens" eu enfim respondi no sonho e acordei.
I
Não sou escravo de ninguém
Ninguém, senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E, por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz.
Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição,
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.
Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra tem a lua, tem estrelas
E sempre terá.
II
Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa.
Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.
Olha o sopro do dragão...
III
É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.
Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.
IV
- Tudo passa, tudo passará...
E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.

E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos.

21 fevereiro, 2012

Entre aspas

Por Camila Paier, em Calmila, calma Camila.






"Presentão caro, extravagâncias a dois, viagem internacional? Que nada. Tem atitudes tão mais simples - e que a gente tanto admira quando feitas - que essas sim, nos fazem sentir de dia ganho. Há quanto tempo não enche a sua namorada de beijos, até que a amada não aguente mais e parta para fazer o mesmo em cima de você? Ou envia assim, inesperadamente, e mesmo que seja uma palavras apenas como mensagem SMS, sinalizando um "estou aqui longe mas pensando muito em você" para que ela conserve de orelha a orelha um sorrisão pelo resto das horas? Pare e repense: é importante, e hoje em dia, nada mais pode ser considerado garantido. Quando regado diariamente, no formato de drops de carinho, paixão, ou atenção, fica fácil florescer apenas jantares contentes, beijos apaixonados e uma paz compartilhada que dá um bem danado.

É maravilhoso quando, mesmo com o passar dos meses, os beijinhos de esquimó continuam sendo dados, em plena tarde dominical, nosso cabelo tirado do rosto - enquanto conversamos - e sejamos sempre colocadas do lado de dentro da calçada, ou puxadas pelo braço em forma de alerta quando atravessarmos a rua sem olhar direito. Todos apreciamos um mimo, e claro, ver que existe um cuidado em se preservar o que somos de bom na vida do outro é mesmo gratificante. Pode ser um beijo na testa, uma cartinha apaixonada com aquela letra máscula e única que só os homens tem (vale um bilhetinho também, qualquer regalo que futuramente possa se tornar peça chave de boas lembranças), uma ligação inesperada apenas para ouvir a voz, porque a saudade apertou de repente. Preocupação e uma doçura em especial quando passamos mal ou ficamos doentes, massagem nas costas depois de um dia cansativo, cafuné nos cabelos até que a gente quase adormeça. Inventar um apelido singular e nada clichê, e usar e abusar de assim nos chamar. Cozinhar de vez em quando, servir nosso prato - e copo, nos puxar mais pra perto e querer estar juntinho ao assistir a um filme ou algo na televisão.

Fazer de nossas mãos um ato de delicadeza: beijem com exagero, segurem publicamente sem hesitar, repousem sobre a sua, quando dirigindo. Achar que a nossa beleza ultrapassa os limites do bom senso, é opinião obrigatória do resto do mundo (e nos falar isso, quando os ataques de baixa auto-estima nos pegam desprevenidas). Mulher é mesmo assim, rapazes: é agir cheios de amor pra dar - apenas para uma de nós, claro - é querer que a cada dia a receita de estar juntos apenas se aprimore, o gosto de ter alguém do lado faça sentido e a gente se entrega fácil. Nem sempre de bandeija, mas de braços (e corpo, e mente e coração) abertos, a cabecinha já aquitetando surpresas para que sejamos únicas enquanto durarmos - e que seja pra sempre, ou intenso enquanto houver vínculo, claro - e a reciprocidade exista. Carinho somado à mimo e ternura só podia resultar num fim distante ao amor que a gente sente, é lógico. Só faz aumentar."


 Calmila, calma Camila.

22 dezembro, 2011

Sobre citações, internet e Caio F

A outra leu e achou bonito. Publicou:
fui no mc donalds, quando eu a vi , meu cérebro parou , minhas mãos tremeram e meus olhos caíram - caio f
A amiga não deixou por menos, Marilyn Monroe falou e disse nessa frase: cuti cuti cuti bla bla bla.

Um amigo  meu disse, é claro, ponderando palavras como todo bom cavalheiro faria:
AONDE QUE MARILYN MONROE FOI UMA BOA INFLUÊNCIA? ELA ERA UMA ATRIZ QUE FOI PRA PLAYBOY! PORRA, VAI SE FUDER, SUA GAROTINHA JUVENIL RETARDADA!!!
Devo concordar, em parte. Até onde essa divulgação de trechos de escritores da 2º geração do romantismo é boa, e onde começa a ficar ruim? Bom, não querendo gastar tempo com isso, mas já gastando... Creio eu que redes sociais que tornem popular esses grandes autores e poetas facilitam, sim, a possibilidade de conhecermos e nos interessar por esses escritores e querer nos aprofundarmos nas obras deles, porém ninguém ta afim de ver por aí posts de trechos pseudo inteligentes de 5 em 5 minutos sobre autores que quem postou nunca ouviu falar antes.
Se eu apoio a divulgação desses autores, de suas obras? Claro que sim, não há dúvidas de que apoio! Isso foi só algo que me passou pela cabeça enquanto eu acabava de descobrir um lindo texto de Caio F (um dos meus escritores preferidos, que conheci via twitter e desde então não parei de pesquisar e ler sobre). O texto se chama  Anotações sobre um amor urbano e realmente desejaria postar ele por completo aqui, mas ele é  bem grandinho, e vocês não o leriam. Pois sim, deixo com vocês um aperitivo, um trechinho deste lindo texto que realmente me encantou! E um Viva! à internet que pode nos trazer mais conhecimento do que já sonhamos encontrar um dia à distância apenas de alguns cliques!

"(...) tudo vale a pena se a alma, você sabe, mas alma existe mesmo? e quem garante? e quem se importa? apagar a luz e mergulhar de olhos fechados no quente fundo da curva do teu ombro, tanto frio, naufragar outra vez em tua boca, reinventar no escuro teu corpo moço de homem apertado contra meu corpo de homem moço também, apalpar as virilhas, o pescoço, sem entender, sem conseguir chorar, abandonado, apavorado, mastigando maldições, dúbios indícios, sinistros augúrios, e amanhã não desisto: te procuro em outro corpo, juro que um dia eu encontro.

Não temos culpa, tentei. Tentamos."

(O texto inteiro você encontra aqui)

26 novembro, 2011

Entre aspas: Pra machucar os corações


Caio F.


"Para quem tem mais de 30, 35 anos, este disco pode ser uma tortura. Não, não é que seja um mau disco. Eu explico. Ou tento. 
É que fatalmente eu/tu/ele/nós vamos lembrar. E não estou certo se essas lembranças serão boas. Ou se seriam boas, lembradas hoje, você me entende? Porque o tempo passado, filtrado pela memoria e refletido no tempo presente – agora -, parece sempre melhor. E terá mesmo sido?

Apenas, quem sabe, porque não havia fadiga lá. Aquela fadiga que se insinua, persistente, entre o ruído das buzinas e das descargas abertas nos engarrafamentos de trânsito, todo dia. Ou essa, de atravessar mais uma vez qualquer avenida às seis da tarde para, de repente, olhar a multidão também fatigada e preguntar: mas que cidade, afinal, é esta. E que vida? A quase amável, paciente fadiga de contemplar o grande relógio das repartições e escritorios, quase imóvel na sua lentidão, a partir das cinco e a caminho das seis da tarde. Para nos despejar, novamente, nas ruas entupidas de fumaça e desejos bandidos nas esquinas, dentro de carros apertados entre outros carros ou de ônibus apinhados – até o interior dos apartamentos, com seus fantasmas emboscados, uns mortos, outros vivos. E então o acúmulo de contas atrasadas, telefonemas ansiosos, telenovelas chatas, quem sabe algum plano, certas fantasias. Outra cidade, outro país, outro planeta, outra vida que não esta – uma memória de flores no cabelo e pés descalços, pouco antes do ruído do despertador e o do meu/teu/dele/nosso coração serem os únicos audíveis dentro da escuridão onde afundamos na lama de nossos sonhos mortos.

Mas eu falava – tentava – de um disco. De John Lennon.

Ele foi gravado ao vivo, no Madison Square Garden, a 30 de agosto de 1972. Há quase, portanto, 14 anos. Você tinha quantos – 15, 20, 25? E provavelmente também imaginava que, um dia, pudesse não haver mais guerras, nem países, nem ódio entre as pessoas. Um mundo novo, não é isso? Depois houve cinco tiros nas costas, e pouco antes, durante o depois, os muros das cidades pixados com frases como “flower-power is dead”. E então uma invasão de cabelos muito curtos, quase raspados, roupas negras, couro justo: a ridicularização de tudo em que você acreditou durante tanto tempo – e largou faculdade, largou família, caiu em bandos pelas estradas para sonhar com essa coisa que não aconteceu: um mundo novo. O deboche das suas antigas – e perdidas – ilusões. Patrício Bisso só sobe no palco para cantar qualquer coisa como “bolsa peruana? Sandália indiana? Hippie! Mata”. Eu rio, você ri, ele ri – nós rimos todos juntos. E temos um sutil cuidado em evitar, no vocabulário, no vestuário, qualquer detalhe capaz de nos identificar como sobreviventes daquele tempo. Agora somos mais do que modernos: demi-darks. Não temos fé, nem esperança, nem caridade. Bebemos vodca pura, cheiramos umas. Nunca mais compramos uma caixinha de incenso. E a bad-trip pinta sem química.

Tudo isso dói tanto. Eu nunca mais tinha ouvido John Lennon. O tempo corre, a gente vai descobrindo jeitos de se proteger. Elis? Nem pensar: põe aí a Paula Toller. Marc (quem lembra?) Bolan? De jeito nenhum, melhor um Boy George, cara. Let´s Roller. It´s only rock and roll. Só que eu nem sempre sei se gusto. Mas, por trás das defesas, esse vinco no canto esquerdo da boca continua avançando, cada vez mais fundo, cada vez mais longo. Você tenta reagir, sem dizer claramente não, pelo amor de Deus, não me dá esse disco pra ouvir, eu não entendo nada de música, eu não conheço John Lennon e nunca ouvi falar em Yoko Ono. Eu não tenho tempo. Não posso parar, nem pensar, nem sentir. Nem lembrar. Eu preciso ganhar dinheiro. Tenho pressa neste passo alucinado em direção ao buraco-negro do futuro.

Mas você acaba aceitando. Agora somos profissionais. Coloca no toca-discos, como quem não quer nada. Liga a TV, ao mesmo tempo. E no meio dos sons que vêm também da rua e dos outros apartamentos, de repente aquela voz tão antiga e conhecida grita:

- Mother!

Aumente o volume. Ou desligue para sempre, você me entende?"

(Publicado no Estadão, Caderno 2, Domingo, 6 de abril de 1986)

16 agosto, 2011

Perfeição - legião Urbana

Não sei se pra vocês também é assim, mas o primeiro álbum que conheci da minha banda favorita é o melhor pra sempre! Sério, sou muito grata a minha prima porra-loka que me apresentou Legião Urbana. De verdade, de verdade meeeesmo, tentando me livrar de clichês, eu acho que não seria a mesma se aos 12 anos de idade eu não ficasse ouvindo o cd arranhado que roubei da minha prima durante todo meu tempo livre. Viva o MAIS DO MESMO!
Ai como legião faz bem aos ouvidos, GENTEM!


Legião Urbana - Perfeição por EMI_Music

03 agosto, 2011

Entre aspas: Amyr Klink

"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”

31 julho, 2011

Entre aspas: DEPOIS DOS QUINZE


Dessa vez não vim aqui só pra citar um texto,um escritor ou uma música... Mas sim, um blog!
Conheci o ddq por aí há algum bom tempo, sigo o/a @depoisdosquinze desde então.
O blog em sua essência é da Br, mas ela conta com uma equipe também. Creio que vocês meninas irão gostar bastante do blog, ele nos oferece posts sobre variados assuntos! Está sempre cheio de promoções, dicas de maquiagem, fotografia, música e o principal e o que me levou pra lá: lindos textos. Aquele tipo de texto que nos entende, vocês mais do que ninguém sabem do que estou falando.
Enfim, esse não é o melhor dos textos que encontrei por lá, mas é um assunto que tem estado na minha mente ultimamente. Se vocês curtirem o post, comentem ou pelo menos marquem aquela caixinha no fim do post que eu, viciada no ddq como sou, posso indicar posts antigos e todo o resto.
Esse blog as vezes fala por mim coisas que eu nunca soube expressar, dá aquela segurança de que tudo isso é normal, e tem alguém ali (a fofa da Br) que vai te ajudar a entender.
Espero que curtam a dica, e que se ainda se dão ao trabalho de ler o meu blog... Bom, que continuem assim! Mesmo se eu não escrever nada, tentarei trazer pra vocês algumas dicas como essa.
Espero que gostem, e tá aí um post recente escrito pela Bruna Vieira.
Beijos, e desfrutem da blogueira mais fofinha que eu já encontrei por aqui. ;*


Sintonia e Amizade

Mais sobre a Br, aqui!
Anos atrás, quando esse blog ainda nem existia, eu tinha uma visão bem diferente do que era a amizade. Sempre fui uma garota tímida, então eu enxergava barreiras onde teoricamente, só existiam pontes. Não conseguia me impor, e mostrar para as pessoas quem eu realmente era ou gostaria de ser. Eu até tinha amigas, poucas, mas tinha.
A questão é que na época, por inocência, eu fantasiava demais as coisas. Deixava passar certas atitudes, e fingia que tudo aquilo era normal. Resumindo: Pagava pau pra quem nem se importava comigo.
O tempo foi passando e algumas coisas aconteceram. Em tempo, percebi o quanto as coisas poderiam ser diferentes se eu tomasse certas atitudes. E tomei, Não foi fácil, eu me senti sozinha durante dias e noites. Foi horrível. Eu chorei em um quarto escuro por horas. Mas eu precisava fazer. Pra descarregar toda aquela energia. E em meio a tantas incertezas, encontrar quem eu realmente sou e o que eu realmente quero.
Então, muitas coisas incríveis começaram a acontecer. Por causa disso ou não, fui me afastando do meu antigo eu para conhecer o meu agora: O presente. Alguém mais madura, menos dependente e confiante.  Nessa mesma época, ganhei um concurso e uma viagem pra Paris. Por sorte ou destino, tudo que era pra dar errado, deu certo.
Na época, quando o resultado saiu, eu precisava de alguém pra ir viajar comigo.  Aqui na minha cidade poucas pessoas que eu conheço e confio sabem falar inglês fluente e já foram pra fora (requisitos impostos pela minha mãe). Semanas antes, enquanto conversava com uma amiga  "de internet" no msn, comentei da hipótese da viagem e do como seria legal viajar com ela. Acabou que na última hora, com desistência de uma tia, minha mãe aceitou a ideia de eu ir com uma desconhecida. Marcamos um dia antes da viagem, em Belo Horizonte. Lá nós e nossas mães finalmente nos conheceríamos.
Nos falamos bastante por messenger, e no dia, tudo deu certo. Nossas mães se deram super bem, e nós também. Viajamos juntas para o lugar mais incrível que já estive, e vivi uma das melhores semanas da minha vida.  Com direito a centenas de fotografias, micos, conversas e muita, muita risada. Lembro que quando acabou, do ônibus, olhando através da janela a estrada se movimentando, odiei mil vezes morar tão longe.
Os dias foram passando e com muitas conversas e risadas, nós fomos compartilhando a mesma lembrança. E criando uma amizade bem bonita, coisa que eu já nem acreditava mais poder acontecer na minha vida. Nos demos tão bem que até fizemos planos: Talvez no próximo ano moremos juntas lá em São Paulo.
Vocês devem estar se perguntando "por que ela tá contando isso?" né?
Hoje, enquanto voltada de viagem e observava as infinitas montanhas aqui de Minas, percebi uma coisa: As barreiras que mais nos limitam são aquelas que nós mesmos criamos.  A distância não é nada perto do que a gente tem dentro do peito. Seja amizade, amor ou só carinho.
O mundo é tão grande, tão cheio de pessoas sorridentes e misteriosas. É bobagem ter medo de encarar isso. Não precisa ser agora, não precisa ser semana que vem, queria apenas que vocês enxergassem isso dessa maneira.
Se você estiver se sentindo sozinha agora, ou sei lá, quando sair em uma sexta-feira à noite, não se culpe. Nem sempre é fácil ser quem se é, e principalmente, nem todo mundo é obrigado a amar você. Sabe aquela coisa de não esperar demais dos outros? É bobeira. Se a gente parar de acreditar em quem a gente ama, a gente para, sem querer, de acreditar em nós mesmos.
Por um mundo onde maquiagens duram mais quando são compartilhadas. Onde sorrisos não são apenas para fotos. Onde amizade é amizade, independente do tempo, distância ou o que for!




06 julho, 2011

citação: Caio F


"– Só sei que nós nos amamos muito…
– Porque você está usando o verbo no presente? Você ainda me ama?
– Não, eu falei no passado!
– Curioso né? É a mesma conjugação.
– Que língua doida! Quer dizer que NÓS estamos condenados a amar para sempre?
(…)
– E não é o que acontece? Digo, nosso amor nunca acaba, o que acaba são as relações…
– Pensar assim me assusta.
– Por que? Você acha isso ruim?
– É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais…
– Você usou o verbo ‘doer’ ou ‘doar’?
(Pausa)
– Pois é, também dá no mesmo…"

15 junho, 2011

citação: Caio F

"Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem.
Mas me diga logo para que eu possa desocupar o coração.
Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida.
E não darei.
Não é mais possível.
Não vou me alimentar de ilusões.
Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível do que ficar à mercê de visitas adiadas, encontros transferidos.
No plano real: que história é essa?
No que depende de mim, estou disposto e aberto.
Perguntei a ele como se sentia.
Que me dissesse.
Que eu tomaria o silêncio como um não e que também ficaria em silêncio.
(...) Anyway, me dói a possibilidade de um não, me dói a possibilidade de um silêncio, me dói não saber de que forma chegar a ele, sacudi-lo dizer me olha, me encara, vamos ou
 não vamos nessa?"

31 maio, 2011

Final do eterno outono

Nuvens dançaram em minha direção
Mas imóvel fiquei, por medo da chuva
Então triste comigo, se foram embora
Pois não as dei a devida atenção

Aves voaram de longe apenas pra ver-me
Mas escondido fiquei entre as paredes de casa
Então triste comigo, se foram embora
Pois não as dei o devido valor

Flores nasceram diante de mim
Mas as podei antes que criassem espinhos
Então triste comigo, se foram embora
Pois não às dei o tempo devido

Tu nada fizeste
Não dançaste como as nuvens levadas pelo vento
Nem vieste de longe como as aves do céu
Tão pouco floresceste em meu jardim
Mas dei-lhe toda atenção, decorei tua história, teus gostos, tuas manias
Dei-lhe todo valor, mais que a mim, mais que a meu nome, mais que a minha honra
A ti todo o tempo, as treze estações de um ciclo tão longo, começado e terminado em outono
Porém, triste comigo estás indo embora
E se me pedires motivo, desta vez faltarei com a resposta.



Intensidade e ansiedade em eterna busca pela verdade
Atualmente sendo um idiota, as ever, e com o projeto do seu cd "plaza"em andamento.
Que tal convencermos ele a fazer um blog?

22 maio, 2011

Citação: Arnaldo Jabor

Ouvi esse texto declamado por um "desconhecido" ao telefone. E o que podemos dizer? O texto ideal, lido pela voz ideal no momento ideal!
Desfrutem:


Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim.
Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
- 'Ah, terminei o namoro...'
- 'Nossa, quanto tempo?'
- 'Cinco anos....
Mas não deu certo...acabou
'É não deu...?
Claro que deu!
Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam.
Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate....se joga...se não bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós.
Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.
Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte.
Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.
E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta.
É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar.
Ou se apaixonar.
Ou se culpar.
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil?






03 maio, 2011

Blog's B-day

Me pergunto se há algo mais certo pra começar um post falando sobre o meu blog do que citar Caio F. Ah, Caio F! Bendito seja o twitter que nos  apresentou. É como ter minha histórias contada por alguém que soubesse mais dela do que eu prória. Vamos aos fatos...*toda frase em itálico é de autoria dele

Foi em Abril, dirá abril e maio. Ou Setembro, Outubro. Os mais cruéis dos meses. Tanto faz, já não importará depois de tanto tempo. Ou importará? Acho que qualquer  antigo seguidor meu pode lembrar do "some time to think" e seu layout tão emo. Que aliás me rendeu uma imagem melancólica. Não que eu não fosse/seja melancólica. Até porque era o que eu mais era em abril e os meses de inverno dessa minha cidade minúscula e pequena...Fiquei presa a uma história, presa na mania de suspender a máscara de sanidade, presa no vazio gelado.(Lutar em segredo, fechado no quarto, sem que ninguém saiba. Para os outros, mostrar só o melhor de si, a face mais luminosa.)
Longe o suficiente de amigos, estressada o bastante para isolar-me, causa perdida na medida certa pra perder amigos. Foi frio, silencioso e revelador. Doeu, doeu muito. Doeu como nunca  algo havia me machucado, foi uma puta dor! Um puta sentimento, uma puta época. Discretamente, enviei sinais de socorro aos amigos. Ninguém ajudou. Me virei sozinho. Isso me endureceu um pouco mais. Não foi só você, não. Foram também pessoas até mais íntimas, (…) me virei sozinho com enormes dificuldades. Não me lamuriei. Mas preciso que as pessoas saibam que isso doeu — exatamente porque algumas destas pessoas (…) importam para mim.
Quando reaprendi a falar quis conversar com alguém, mas me afastara tanto de todos. Melhorei, não sei como. Acho que o ponta pé inicial foi quando me disseram puras e malvadas verdades na cara, fora um ogro sem dó, mas foi significativo. Desde então descobri o que deveria fazer: supere isso e, se não puder superar, supere o vício de falar a respeito.


Quantos discursos politicamente corretos eu não dei? Quantas mentes eu já não quis fazer acreditar no verdadeiro amor, na bondade das pessoas e em pessoas doces.
Sai procurando razões e textos, palavras paradoxais em cada sentimento cor-de-rosa que encontrei pelo caminho. Não achei. Na verdade, não só não achei como perdi. Perdi o fio da meada.
Me tornei egocêntrica, e me foquei em mim. Me auto-analisei por hobby, foi diferente. Além disso, sou terrivelmente instável e entender minhas reações é coisa que às vezes nem eu mesmo consigo. Percebi como sou previsível e como sou como gostaria de ser ou algo bem próximo. Apaixonei-me por mim mesma. Não foi algo extremamente ruim, nem bom. Foi um tempo de traçar algumas metas, saber do que gosto (café,frio, Inglaterra e música antiga) e o que não suporto (?). Colei aquele “EU TE AMOno espelho. E é pra mim mesma.
Procurei, e continuo na busca, de novos dessas minhas histórias. Algo que me dê mais emoçãoá vida. Ando pacata, e quando surge algo novo fico no desespero do medo de dar errado, ou no desespero daquilo que ainda nãoconsegui nomear. Mas continuo aprendendo com Caio, quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado.
Vez em quando pinta uma borboleta no estômago e fico cautelosa, pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'.
E acontece por final que estou aqui, completando um ano da minha vida de (pseudo)blogueira, com váriados personagens, mas sempre o mesmo tema. E acontece que eu ainda sou babaca, pateta e ridícula o suficiente para estar procurando O verdadeiro amor. Dá pra crer nisso?
 Ela tem muita dúvida como todos têm. Mas nem todos sabem a beleza de saber lidar com a tristeza. Ela sabe. E talvez por isso a tristeza não me repele, e sim inspira. Desde que seja doce já estará valendo a pena ser vivido.
E que todos vocês leiam Caio F,viu?
Feliz aniverário, louca pedinte de help.
Parabéns pra mim!

17 abril, 2011

Entre Aspas: A moreninha

A moreninha, livro de Joaquim Manuel de Macedo publicado em 1844, é um clássico do romantismo. Eu assumo que sou péssima leitora e que esse foi o primeiro e recente clássico que li, mas assumo também que me amarrei no personagem de Augusto, um inconstante rapaz que diz não poder amar umar um mesmo objeto por mais de três dias, porém Carolina (ótimo nome para uma miúda, sapeca e inteligente personagem) com todo seu atrevimento o corrompe em sua inconstância.
A história me saltou aos olhos de imediato e recomendo a todos lerem o livro que, para a época e a ideia pré concebida de clássico que temos, é super facil de ser lido.
Aqui citarei um fragmento de uma conversa dos amigos de Augusto e o próprio, comentando a inconstância
amorosa do rapaz incorrigível.

"(...)
- E de qual gostarás mais, da pálida, da loura ou da moreninha?...
- Creio que gostarei, principalmente, de todas.
- Ei-lo aí com sua mania.
- Augusto é incorrigível.
- Não, é romântico.
- Nem uma coisa nem outra... é um grandíssimo velhaco.
- Não diz o que sente.
- Não sente o que diz.
- Faz mais do que isso, pois diz o que o que não sente.
-O que quiserem... serei incorrigível, romântico ou velhaco, não digo o que sinto, não sinto o que digo, ou mesmo digo o que não sinto; sou,enfim, mau e perigoso e vocês inocentes e anjinhos. Todavia, eu a ninguém escondo os sentimentos que ainda pouco mostrei, e em toda parte confesso que sou volúvel, inconstante e incapaz de amar três dias um mesmo objeto; verdade seja que nada há mais fácil do que me ouvirem "eu vos amo", mas também a nenhuma pedi ainda que me desse fé, pelo contrário, digo a todas o como sou e,se, apesar de tal, sua vaidade é tanta que se suponham inesquecíveis a culpa,certo, que não é minha. Eis o que faço. E vós, meus caros amigos, que blasonais de firmeza de rochedo, vós que jurais amor eterno cem vezes por ano a cem diversas belezas...Vós sois tanto ou ainda mais inconstantes que eu!... mas entre nós há sempre uma grande diferença: -vós enganais e eu desengano, eu digo a verdade e vós, meus senhores, mentis... [...] A alma que Deus me deu, continuou Algusto, é sensível demais para reter por muito tempo uma mesma impressão. Sou inconstante, mas sou feliz na minha inconstância, porque apaixonando-me tantas vezes, não chego nunca a amar uma vez..."


* Para quem curte ler livros pelo computador, podemos encontrar a obra aqui

25 janeiro, 2011

Soneto de Fidelidade

 
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.



Vinicius de Moraes

22 novembro, 2010

citação de Charles Bukowski

E se em alguém aí fora que se sente louco o suficiente pra querer se tornar um escritor, eu diria vai em frente, cospe no olho do sol, bate nessas teclas, é a melhor loucura que há, os séculos precisam de ajuda, as espécies gritam por luz e apostam e riem. Mostra pra eles. Há palavras suficientes pra todos nós.

(Charles Bukowski)