Por Camila Paier, em Calmila, calma Camila.
"Presentão caro, extravagâncias a dois, viagem internacional? Que nada. Tem atitudes tão mais simples - e que a gente tanto admira quando feitas - que essas sim, nos fazem sentir de dia ganho. Há quanto tempo não enche a sua namorada de beijos, até que a amada não aguente mais e parta para fazer o mesmo em cima de você? Ou envia assim, inesperadamente, e mesmo que seja uma palavras apenas como mensagem SMS, sinalizando um "estou aqui longe mas pensando muito em você" para que ela conserve de orelha a orelha um sorrisão pelo resto das horas? Pare e repense: é importante, e hoje em dia, nada mais pode ser considerado garantido. Quando regado diariamente, no formato de drops de carinho, paixão, ou atenção, fica fácil florescer apenas jantares contentes, beijos apaixonados e uma paz compartilhada que dá um bem danado.
É maravilhoso quando, mesmo com o passar dos meses, os beijinhos de esquimó continuam sendo dados, em plena tarde dominical, nosso cabelo tirado do rosto - enquanto conversamos - e sejamos sempre colocadas do lado de dentro da calçada, ou puxadas pelo braço em forma de alerta quando atravessarmos a rua sem olhar direito. Todos apreciamos um mimo, e claro, ver que existe um cuidado em se preservar o que somos de bom na vida do outro é mesmo gratificante. Pode ser um beijo na testa, uma cartinha apaixonada com aquela letra máscula e única que só os homens tem (vale um bilhetinho também, qualquer regalo que futuramente possa se tornar peça chave de boas lembranças), uma ligação inesperada apenas para ouvir a voz, porque a saudade apertou de repente. Preocupação e uma doçura em especial quando passamos mal ou ficamos doentes, massagem nas costas depois de um dia cansativo, cafuné nos cabelos até que a gente quase adormeça. Inventar um apelido singular e nada clichê, e usar e abusar de assim nos chamar. Cozinhar de vez em quando, servir nosso prato - e copo, nos puxar mais pra perto e querer estar juntinho ao assistir a um filme ou algo na televisão.
Fazer de nossas mãos um ato de delicadeza: beijem com exagero, segurem publicamente sem hesitar, repousem sobre a sua, quando dirigindo. Achar que a nossa beleza ultrapassa os limites do bom senso, é opinião obrigatória do resto do mundo (e nos falar isso, quando os ataques de baixa auto-estima nos pegam desprevenidas). Mulher é mesmo assim, rapazes: é agir cheios de amor pra dar - apenas para uma de nós, claro - é querer que a cada dia a receita de estar juntos apenas se aprimore, o gosto de ter alguém do lado faça sentido e a gente se entrega fácil. Nem sempre de bandeija, mas de braços (e corpo, e mente e coração) abertos, a cabecinha já aquitetando surpresas para que sejamos únicas enquanto durarmos - e que seja pra sempre, ou intenso enquanto houver vínculo, claro - e a reciprocidade exista. Carinho somado à mimo e ternura só podia resultar num fim distante ao amor que a gente sente, é lógico. Só faz aumentar."
Calmila, calma Camila.
21 fevereiro, 2012
31 janeiro, 2012
O amor usa para-quedas?
Com Ícaro Naumte
- Mas difícil é continuar com a loucura, e não dar início à ela. Não é?
- Verdade. Mas é como saltar de para-quedas, você precisa de um surto de loucura pra pular do avião. Depois a gravidade faz o resto.
- Só a gravidade? Não será preciso puxar a cordinha nunca? Saber aterrizar, etc e tal?
- Depois do pulo, guria, se espera que você já saiba tudo isso. Porque no ar não dá pra se preparar mais não,
a gente faz o que aprendeu, e fé pra que a lona abra.
- Mas difícil é continuar com a loucura, e não dar início à ela. Não é?
- Verdade. Mas é como saltar de para-quedas, você precisa de um surto de loucura pra pular do avião. Depois a gravidade faz o resto.
- Só a gravidade? Não será preciso puxar a cordinha nunca? Saber aterrizar, etc e tal?
- Depois do pulo, guria, se espera que você já saiba tudo isso. Porque no ar não dá pra se preparar mais não,
a gente faz o que aprendeu, e fé pra que a lona abra.
28 janeiro, 2012
Hoje eu acordei com vontade de você.
Acordei com vontade de abraço de bom dia, ou de madeixa posta atrás da orelha.
Uma vontade meio olhar calado, sorriso estampado, mordida nos lábios.
Ontem dormi com vontade de você.
Meio temente de não ter de novo, meio dormindo de costas querendo abraço.
Meio cabelo molhado desleixado sem ligar pra resfriado.
Hoje passei o dia querendo que me fizesse escrever.
Que a madeixa fosse posta outra vez atrás da orelha.
Que o olhar pudesse ser novamente sustentado.
E que eu pudesse gravar!
Gravar porque não sei mais quantos ciclos podem vir a demorar pra isso acontecer de novo.
Gravar, porque pra mim em qualquer momento você pode escapar.
Gravar só pra usar de desculpa, gravar porque na verdade eu não suportaria outra daquelas porradas.
Acordei com vontade de abraço de bom dia, ou de madeixa posta atrás da orelha.
Uma vontade meio olhar calado, sorriso estampado, mordida nos lábios.
Ontem dormi com vontade de você.
Meio temente de não ter de novo, meio dormindo de costas querendo abraço.
Meio cabelo molhado desleixado sem ligar pra resfriado.
Hoje passei o dia querendo que me fizesse escrever.
Que a madeixa fosse posta outra vez atrás da orelha.
Que o olhar pudesse ser novamente sustentado.
E que eu pudesse gravar!
Gravar porque não sei mais quantos ciclos podem vir a demorar pra isso acontecer de novo.
Gravar, porque pra mim em qualquer momento você pode escapar.
Gravar só pra usar de desculpa, gravar porque na verdade eu não suportaria outra daquelas porradas.
16 janeiro, 2012
O monstro do lago Ness
Cheguei em casa decidida, escreverei sobre isso!
No caminho, o xixi me fez correr pro banheiro, o chocolate me tomou uns minutos, mas já pus numa rádio clássica e agora ninguém me cala. Na verdade, minha aventura de hoje começou antes dessa vontade louca que sempre sinto de fazer xixi ao abrir a porta de casa (sério, pergunta à minha mãe, é instantânea a vontade!), a minha história de hoje veio by bus, como eu sempre venho, e como algumas outras histórias já vieram!
Hoje não tentei ler o livro de um desconhecido e ele puxou papo e me conquistou como já fez o Sr Patrick uma vez, mas a de hoje também inclui minha falta de educação (ou devo dizer muito interesse?). Quero dizer, estava eu no ônibus a pensar sobre coisas idiotas, como é de minha natureza pensar, e então ouço a conversa de uma menina ao telefone que me prendeu à audição de tal blasfêmia:
-UERJ! Po, UERJ é boazona né, mas cara, ela não passou de primeira e se matou de estudar esse ano também! (...) Mas é história! Acho perda de tempo, quero dizer, FARMÁCIA TUDO BEM, você tem uma área vasta de atuação, mas história você não tem isso!
GENTE, fiquei boquiaberta, queria sentar do lado desse Monstro do lago Ness na hora, mas esperei o telefonema acabar.
-Mimimi, mas é né, também tem isso, todo sociólogo é louco.
Papo vai, papo vem, ela falou de bio molecular e de como ela era boa em química, uma moça sentou do lado dela, o telefonema finalmente acabou, fiquei em dúvida entre cutucar a Nessie e falar mesmo de onde me encontrava, ou de esperar. Pensei, mordi a boca, entrelacei os dedos "se for pra ser, essa moça do lado dela sai". Não deu outra! A moça saiu, e eu fui cheia da cara e a coragem, ou covardia incitada por adrenalina, chamem como quiser!
-Oi, não quero sendo ser mal educada, mas já fui ao ouvir sua conversa. Eu queria te dizer que fazer história não é perda de tempo e que não existe isso de todo sociólogo ser louco! - O Monstro do lago Ness me encarava, e eu citei meu professor de história em uma de suas melhores citações - E como diria Geraldo Vandré, a história na mão e a certeza na frente.
Nessie me encarou por um momento que pareceu uma eternidade, me veio com uma de que se não tiver ambição não era tão mal, mas que pra quem tinha ambição aquilo era pouco. Eu falei que havia ambição sim, e que ambição não se remete ao que ela deveria estar pensado. Ela falou sobre sala de aulas, eu disse que essa era a maior ambição que poderia haver! "Imagine, você que ambição maior poderia existir se não a de entrar numa sala de aula, compartilhar conhecimento e alimentar, criar, incentivar ideias?" O que ela disse não sei de cor, doía meus ouvidos ouvir aquilo, sei que no final o Monstro falou de remuneração, disse que ninguém vive de sala de aula. A última fala que me propus a proferir àquele monstro horrendo foi "NINGUÉM VIVE SÓ DE DINHEIRO TAMBÉM"! Ela pediu licença, se levantou e aí foi quando descobri o quão corajosa eu havia sido, eu estava do lado da Ignorância, meus amigos. Poderia eu não me sentir meio metro mais alta naquela circunstância?
Puxei a bolsa, dei licença, pedi desculpas da boca pra fora, ao meu colo encontrei meu livro de história já esquecido e meu dicionário português-inglês, não havia dúvidas de que eu fizera a coisa certa. Achei engraçado o livro ali, na hora, achei propício, havia me esquecido do peso de conhecimento que carregava no colo.
Quero dizer, quer fazer farmácia vamos lá! Te desejo tudo de melhor, mas não me venha dizer que chegou aí sozinho, que aprendeu tudo por que quis, porque ainda que sozinha estudasse, precisaria que alguém tivesse escrito aquilo! Ainda que sabichona se julgasse esqueceria que na sua tão querida graduação precisaria de professores!
Se você quer viver pro dinheiro, não minto, te julgo! Mas se você quiser viver por uma ideia, vamos nessa!
Eu ri depois que ela saiu, é claro que ri, eu fui tão corajosa! Tão cheia de mim eu não pensava em outra coisa, "tenho que por no blog".
11 janeiro, 2012
Partes do meu eu
Parte de mim é gritante
parte de mim ouvinte
Parte de mim ocupa espaço
a outra se esconde
Parte de mim não se importa
a outra sai correndo
Sou tantas!
Não tantas eu
tantas partes de mim
que isso assusta
Vez em quando se encontro eu mesma na esquina
me pergunto se é isso mesmo, se tá certo
Mas parte de mim é certa
e a outra perfeitamente eu mesma.
parte de mim ouvinte
Parte de mim ocupa espaço
a outra se esconde
Parte de mim não se importa
a outra sai correndo
Sou tantas!
Não tantas eu
tantas partes de mim
que isso assusta
Vez em quando se encontro eu mesma na esquina
me pergunto se é isso mesmo, se tá certo
Mas parte de mim é certa
e a outra perfeitamente eu mesma.
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