01 fevereiro, 2013


Outro dia entre a correria e mais correria causada por motivos de: ser enrolada, aconteceu algo muito interessante e que agora junto ao que acaba de me acontecer, não posso deixar de contar a quem me lê. Leitores invisíveis que acabo de constatar que existem. Sim, você aí que me lê, eu tenho dúvidas da sua existência!

Lá estava eu, sendo fodida ferrada pela burocracia infernal de um cartório. Choramingando ao carinha que me atendia para que conseguisse abrir uma maldita firma em meu nome. Enquanto tagarelava e enchia o ser de desespero, eis que o bendito diz: "Olha, eu sei que você é gente boa. Eu te conheço e tal, mas não posso fazer, sua identidade tem que estar em dia...".
Depois de mais uma dose do chororô pela validade da minha carteira de identidade é que caio em mim e me pergunto: "Como assim me conhece?! Nunca o vi mais burocrático!".
Foi quando de tanto insistir ao perguntar de onde conhecia o carinha que estava me atendendo e me fazendo choramingar pela identidade vencida, ele disse: "Você não é dona daquele blog, Uma Louca Pede Help?".
Gente, vocês tem noção do que foi isso? Alguém, de quem nunca vi o rosto, de repente ao me atender no cartório me reconhece pelo blog? Ok, vocês não devem saber o que é isso, ou o que isso provoca em mim, mas sei que fiquei boquiaberta. Alguém "reconhcendo" meu trabalho... Ok novamente, isso de trabalho não tem nada, não ganho por isso, escrevo por prazer, mas olha, fiquei pasma, muito feliz. "Três anos e um desconhecido me reconhece na rua. Nada mal, Caroline!".

Hoje casualmente uma amiga falou do meu blog, e de como ela acha que escrevo bem. Acho incrível receber elogios sobre o que escrevo, meus escritos são a parte de mim mais verdadeira e exposta que alguém pode conhecer. Mas quando esse elogio vem de alguém próximo, de alguém que não tem o costume de ler o que escrevo no blog pela obrigação de me ser próximo, parece que pesa mais.
Já fiz amigos virtuais e amigos reais que me foram dados pelas palavras que aqui posto. Nada como a sua alma transfigurada em versos públicos para que alguém se identifique e compartilhe da dor, do amor, ou do vazio. Aos amigos que me leem, um imenso obrigada. Não to me achando nada por favor, mas tenho que agradecer aos que me leem. Não que estejam prestigiando um grande poema, um belo texto, mas estão me encorajando a escrever, a continuar. Escrever é uma forma de se contornar, se conhecer, usar do tato intelectual, mas se não houvesse público talvez eu não escreveria. Talvez eu não sentisse a necessidade de me por em frente a folha em branca e tratar com honestidade o que sinto.
Hoje recebi um dos elogios mais lindos que em 3 anos de pseudo-blogueira já recebi, deixo ele guardado aqui. E que eu escreva e possa tocar ainda mais amigos, seja com lágrimas, esboços de sorrisos ou gargalhadas (acho que nunca), é muito saber que alguém do outro lado pode se identificar e se emocionar com algo tão meu.

"Então, sabe quando alguma coisa tem aquele "gostinho de casa"? Aquela sensação de conforto e tranquilidade, o tipo de coisa que a gente só da atenção realmente quando volta a dormir no nosso proprio quarto depois de seculos viajando? Acho que ja faz tanto tempo que me acostumei com o que voce escreve, que cada palavra lida me traz essa sensação. Cada texto se encaixa nas minhas situações de uma forma tão suave... Mesmo se as vezes eu passar meia eternidade sem ler ou ouvir uma palavra sua, é só ir pro seu blog que cada frase, versoou vírgula que seja carrega sua voz, seu olhar sério mas que, no fundo, traz aquele brilho sonhador, brilho de menina-mulher, brilho de esperança. Por isso que o que voce escreve sempre me deixa inspirada, é porque vem de você. Ok, nunca fomos muito próximas, mas dizem que quando alguém escreve assim, as palavras saem do coração, e o seu olhar transmite isso. Por isso sinto que conheço voce mais intimamente, apesar de nunca ter muita coragem pra aprofundar uma conversa, ou nossa amizade. Minha timidez ainda lança barreiras ao meu redor.. Enfim, sua escrita é terrivelmente adoravel, voce tem um olhar detestavelmentee inspirador, e é uma pessoa que me traz esperança. Esse é um dos momentos em que eu precisava de esperança, e voce me trouxe isso mais uma vez, mesmo sem querer. Obrigada por isso, e obrigada por escrever tão bem. E eu espero ter feito algum sentido." Um "Oi, muito obrigada" especial pra Bruna Burgos (que fez o comentário acima), para Miriam Paim (uma fofa que esbarrei na internet por causa do blog) e pra Isabelle Freitas (a chata mais chata do mundo, que espalha meu blog pra todo mundo e me faz mais feliz ao descobrir "admiradores" pro ái)!

13 janeiro, 2013

A paixão

Um dia, nos primeiros dias, aqueles em que as janelas acordavam embaçadas, friozinho ameno, temperatura local, eu acordei. Acordei atordoada no meio da noite, com uma saudade que não me pertencia. O corpo do meu lado, tão perto, me saudava como quem andou longe por tempo demais. As saudades me foram tomando, fiquei acordada noite a dentro. De repente me doía a ideia de adormecer e perder seu sono profundo, sua respiração sem ritmo, seu semi sorriso tranquilo. Te abracei, aninhei meu corpo o mais próximo possível enquanto aquelas saudades inesperadas doíam cada parte do meu eu.
Aquele dia, enquanto dormia e eu vigiava o seu sono, pensei em escrever. Em levantar dali e ver se aquela revira volta no meu eu, na minha dor, poderia e deveria se transformar em escrita, tomar forma em letras, se aconchegar em versos. Mentalmente produzi rascunhos, todos horripilantes, ansiosos, angustiados. Eu não sabia o que estava sentido, se era bom ou se era ruim. Se deveria me afastar, conter, minimizar ou se deveria deixar. A dor foi cessando, o sono chegou de fininho driblando o desespero que significava perder tempo dormindo ao invés de admirá-lo.
O desespero, a ânsia e a saudade naquela noite se instalaram em mim, da forma selvagem e doída que foi. Vi por outras lentes o medo, o querer e a saudade me transformarem brutalmente em amante. Não era mais eu ali, no meu corpo morava mais alguém. A minha alma remendada se uniformizou, e então ali morava eu e você. Você representando o querer infindável, a saudade dolorida e a ânsia urgente.
Naquela noite de inverno quando acordei com saudades e não soube explicar o que me acontecia enquanto me era tomado o pensamento lógico, me foi concebido você. Quando acordei já de manhã não havia mais nada a fazer, eu havia acordado dentro de mim uma centelha altamente inflamável, que desde sua primeira fagulha não quis mais se apagar. Naquele dia eu acordei, mas não só. Naquele dia acordamos, e como se soubéssemos o que fazer abracinho confirmamos em segredo e em silêncio o fenômeno ocorrido na madrugada. De repente eu estava perdidamente apaixonada.


"A paixão (do verbo latino, patior, que significa sofrer ou suportar uma situação dificil) é uma emoção de ampliação quase patológica. O acometido de paixão perde sua individualidade em função do fascínio que o outro exerce sobre ele. É tipicamente um sentimento doloroso e patológico, porque, via de regra, o indivíduo perde parcialmente a sua individualidade, a sua identidade e o seu poder de raciocínio."
Fonte: 
Wikipedia (paixão) 

17 dezembro, 2012

Enrolei-te tanto pra dizer-te tão depressa
o que tanto mais demoro ao confirmar altruisticamente
que matar meu ego e ceder o lugar que ele ocupava
gosto-te assim: muito. E tanto!
Entrego-te isto tão mais tarde pois que escrito
e tão mais esperado depois de concreto que
por fim então, amo-te assim, do jeito confuso que posso
Amo-te por fim, ao fim de cada segundo que respiro
e amo-te então, pra mim.

15 dezembro, 2012

O problema de ser gente



Qualquer relacionamento é uma via de mão dupla. Um artista só produz quadros para aqueles que os admiram. Sem público, sem show, sem canto, sem choro, sem vela. Em um namoro, em um casamento, em uma vida, deve-se sempre ser levado em conta que tratamos de gente! E gente chora, esperneia, grita, se irrita, se desmitifica, se entrega. Gente acorda de bom e mau humor, gente tem dor de dente, garganta e ouvido. Gente está sempre sujeito a problemas, a lágrimas e a mais gente. E quando se junta gente com gente, sai de baixo! Não existe fórmula secreta, palavrinha mágica ou um botão acelerar, pular capítulo. Gente que é gente vai sempre parar em alguma esquina com algum grito entalado na garganta, que o mata por dentro. Gente que é gente sabe que gritar pro nada é perda de tempo. Gente precisa de gente. Gente pra gritar, pra falar, pra se apoiar.
Ser gente é ser mão dupla também. Quando digo que gente precisa de gente pra bater, descontar e desabar, entenda que os dois lados são gente! Ser gente é mesmo ser via dupla. Tem que saber que explodir é bom, mas que aguentar explosão é necessário. Gente fala com cachorro, gato, passarinho, gambá e papelão, mas gente precisa de gente, INVARIAVELMENTE.
O problema de ser gente é que gente se relaciona. E relacionamento é ''gentichismo'' demais pra gente. Porque ser gente sem relacionamento é ser humano, e errar é humano. E olha, relacionamento não permite erro não, só aqueles bem maduros, com tempo de casa. Porque ainda está pra vir o tempo em que se saberá que errar é gente também, e como boa gente que é deve ter resposta honesta, justa. Se errar é gente e gente precisa de gente, errar será inevitável. Mas desculpar erro, aguentar explosão, dar e receber está ainda muito além de ser gente, porque gente é ser humano com relacionamento, mas relacionamento é gente que gosta de gente e está disposto a aguentar as humanidades que por ventura acontecem no caminho.
O problema de ser gente é que ser gente é complexo demais, porque gente é ainda que gente, humano! E ser humano é ter amor demais pelo raciocínio que se tem a ponto de abrir mão de ser humano pra ser gente. É complexo e egoísta, como cada característica ímpar nos faz ser. Mas ser gente é tão bonito, tão harmônico entre as oscilações que há, que sempre haverá um milímetro de gente dominando os desejos de até mesmo toda humanidade que somos. Ser gente é aprender andar em via dupla, respeitando e cedendo espaço para os que vem, e os que vão. Entendendo que, apesar de qualquer pesar, gente só é gente mesmo quando plural.

11 dezembro, 2012

Rima boba, sorriso rico

Para que não seja deixada de lado a inocência                   

Um dia encontrei o amor
pensei já tê-lo conhecido, inocente sorri
a esse tal amor, que não conhecia, me prendi
e assim muito humildemente desde então o obedeci

Um dia passei pela paixão
Já veterana em permanecer de pé com suas ventanias, a acenei
foi quando do sul veio um vento e do norte a chuva forte
muito desesperadamente segurei, não desmoronei

Outro dia vi você
veio chuva, veio sol, tempestade e até granizo
e não importou tantos treinamentos
no final perdi meus joelhos, caí no chão e não achei mais o juízo