09 julho, 2011

wake up


Hoje eu acordei com uma atmosfera engraçadinha do meu lado. Talvez seja só o produto de ter caido no sono enquanto lutava comigo mesma para não ir atrás de quem eu não devia, ou então as músicas que me ninaram. Pode ter sido as cobertas também, em tempos de muito frio acho que emitem mais energia boa do que o normal. Sempre gostei de um casulo, tinha me esquecido de como era bom.
Mas o que me despertou mesmo não foi a vontade louca de fazer xixi que tive as 5:20am, nem um sonho muito louco que tive. Foi o despertar: TINHA SOL! Assim mesmo, em maiúsculo e com exclamação!
Eu não sei o que isso quer dizer, SOL, mas eu sinto que é bom. O céu está num azul uniforme e as árvores estão mais feliz, posso ver isso no tom das suas folhas expostas ao SOL.
Eu ouvi minha banda preferida também, foi por acaso, mas me fez um bem enorme!
Me olhei no espelho, escovei os dentes, penteei os pensamentos e baguncei-os de novo. É, também acho que ficam melhor assim. Olhei nos meus olhos, já tava na hora de alguém fazer isso, e sibilei "despertar". Achei hilário, a palavra fazia cócegas na face, repeti pausadamente: DES-PER-TAR.
Não sei o que esse blablabla de sol no sábado quer dizer, eu só quis escrever enquanto o sol invadia minha sala, foi bonito. Deu vontade de chorar, mas decidi escrever na hora. Só queria dizer que de repente me deu uma vontade enorme de ser feliz, de sorrir e de -sei-lá-o-quê. De DESPERTAR cada dia mais nova, mais cheia de sonhos, mais cheia de planos, com menos cabelo penteado e mais sorriso no rosto.
Decidi levantar pro sábado, já tava na hora disso também. Fiz uma catarse com os dedos congelados e fui me expor ao sol. Pentear os pensamentos aos poucos, sorrir pro espelho. E se não tiver quem me olhar nos olhos e fizer coisas bonitas todos os dias eu decidi fazer por mim mesma.
Chega, sabe, de esperar. Vivemos esperando algo que não sabemos o que é. Vivemos esperando alguém chegar com o caminhão de mudança e te arrastar, te fazer mudar de ideia, mexer com o seu coração e pirar sua mente. Essa espera me alerta, mas não quero falar sobre ela agora. Hoje fez sol ao despertar e quero aproveitar pra tirar o mofo da mente.
Te vejo mais tarde? Só não espere isso também. Porque nem tudo é como parece ou termina como se prevê. Lembre-me disso quando necessário, boy.
Fui tomar minha dose de vitamina D enquanto há oferta, mesmo que pouca...

Ei,
eu despertei hoje, dá pra acreditar?

06 julho, 2011

citação: Caio F


"– Só sei que nós nos amamos muito…
– Porque você está usando o verbo no presente? Você ainda me ama?
– Não, eu falei no passado!
– Curioso né? É a mesma conjugação.
– Que língua doida! Quer dizer que NÓS estamos condenados a amar para sempre?
(…)
– E não é o que acontece? Digo, nosso amor nunca acaba, o que acaba são as relações…
– Pensar assim me assusta.
– Por que? Você acha isso ruim?
– É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais…
– Você usou o verbo ‘doer’ ou ‘doar’?
(Pausa)
– Pois é, também dá no mesmo…"

23 junho, 2011

Quinta estação


Prepare o guarda-chuva garota, começou a chuva e o vendaval.
Sorrisos, carências, tristeza, satisfação. Sabe enfim dizer o que dentro de ti acontece? Escreva, descreva,  apague e caia por fim na inconsciência que te basta.
Chore se preciso, esconda-se se necessitar. Xingue se explodir, grite desafinado pra transformar. Enfim, vazia, esqueça.
Amanhã é outro dia e o céu ta nublado, compre chocolate e sente-se perto de pessoas diferentes. Observe-as enquanto falam, enturme-se. Na prorrogação do segundo tempo tudo irá sempre mudar mesmo.
Comprima-se, espalhe-se, cale-se ou grite. Sua irritação está em alta e o sol mostrou a cara. Não adianta se esconder, ele achou você. Não há sombra ou disfarce útil, pois você tá feliz de novo!
O sol se pôs, o sistema nervoso saiu da calmaria. É mais uma vez ventania dentro de ti. Faz frio com frequência, mas frio do que em qualquer lugar. Suas flores de primavera se fecharam, recolheram sua exuberância se protegendo da neve que está por cair. Nevou, embranqueceu os campos recém formados da primavera instantânea. O frio arrepiou a alma.
Você fecha os olhos, as pálpebras suplicam pelo fim do dia. Suas mãos estão geladas, seu coração também. O sangue passa por sua cavidades sem se fazer notar.
Mas  nada é como parece ou termina como se prevê.
O sol da meia-noite chega sorrateiro, derrete a neve e forma um rio de leito largo. E como se fosse a primeira vez você põe os pés naquele rio, e deixa, sem relutar, a umidade do verão chegar. Faz sol dentro de você, o sangue corre pelas veias, e vai saber o que se passa dentro da cabeça de quem o sente.
E não importa, quantas vezes o ciclo se repita, você nunca botará os pés no mesmo rio pois as águas nunca serão as mesmas.
És por fim, tempestade de emoções.

15 junho, 2011

citação: Caio F

"Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem.
Mas me diga logo para que eu possa desocupar o coração.
Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida.
E não darei.
Não é mais possível.
Não vou me alimentar de ilusões.
Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível do que ficar à mercê de visitas adiadas, encontros transferidos.
No plano real: que história é essa?
No que depende de mim, estou disposto e aberto.
Perguntei a ele como se sentia.
Que me dissesse.
Que eu tomaria o silêncio como um não e que também ficaria em silêncio.
(...) Anyway, me dói a possibilidade de um não, me dói a possibilidade de um silêncio, me dói não saber de que forma chegar a ele, sacudi-lo dizer me olha, me encara, vamos ou
 não vamos nessa?"

03 junho, 2011

Anseio por calor


O que fazer com o vazio? Vazio que corrompe e dilata.
Como lidar com a falta de tudo? Falta de calor, de barulho, de toque e contato.
Não pense que sou demasiado carente! Posso me virar por muito tempo sozinha e quieta, pensando só pra mim e mordendo a língua quando questionar proferir algo não  muito educado. Sei me controlar e talvez até me alimentar sozinha. Posso sobreviver, só não posso viver sozinha.
Você me compreende, não compreende?
Eu só preciso, vez em quando, de cafuné e colo. Talvez se puder sussurrar algo no meu ouvido e arrepiar toda minha espinha dorsal eu seria grata. Olhar nos meus olhos e sorrir, sorrir também com os olhos! Me fazer cosquinha e implorar por um beijo. Sair correndo com minha bolsa e fazer de mim demasiado inocente outra vez.
Se você pudesse me abraçar e passar todo o seu calor pra mim, respirar no meu pescoço e não me soltar por nada. Liberar essa corrente elétrica que percorre meu corpo a cada vez que me encosta, sentir o choque de minhas mãos trêmulas. Andar do meu lado, olhar pra mim e me ver... deixar eu te ver.
Você entende essa troca de calor que anseio? Digo, o toque, a respiração próxima, seus dedos entrelaçados no meu e nossos corpos próximos se desejando como ímãs.
Meu corpo, olhar e coração andaram vazios por tempo demais e o calor se transfigurou em vazio. O vazio da angústia e da espera ansiosa por algo novo que nunca chegaria a ser. Você pode entender meu desespero descontrolado em uma tentativa frustrante de não-histeria?  Pode sentir o latente alerta procurando por calor? Eu estive sozinha, vazia e sobrevivi por muito tempo, agora quero algo além do calor de subsistência. No final só quero mesmo te perguntar se você poderia me esquentar neste inverno rigoroso que tem feito dentro de mim e que extinguiu todo o meu amor e calor. Você pode?