01 janeiro, 2023

2022

2022 realizei muitas coisas ao mesmo tempo que (re)vivi meus piores medos, dessa vez sem anestesia. Análise cantou, ansiedade dominou, corpo caiu diversas vezes, chorei horrores sozinha, chorei no colo de amgs, na mesa de bares e cafés… incontáveis ubers. Fiz algumas coisas pela primeira vez, mais importantes do que de fato a importância que dou ao recorda-las. Me permiti ser frágil e deixei que os outros vissem minha fragilidade. Não foi fácil deixar que me vissem daquele jeito, mas te ho aprendido que é extremamente necessário. Com muito amparo de diversas formas e choros com muito soluço na análise, voei timidamente. Com baita medo de cair e machucar, não saber cair. Pousar parecia não existir, o medo de cair e tudo voltar domina(va). Mas saber cair é o que? Dessa vez foi diferente. Dessa vez foi fundo, sem distração e com os olhos atentos para não cair em possíveis subterfúgios que de nada me adiantariam. Foi sem anestesia. Sangrou para um caralho. A-bun-dan-te-men-te. E ainda dói também. Reconhecer certa coisas que estão aqui há 28 anos e me olhar enquanto vivia meus medos concretos no vazio que se formou na minha frente. Um vazio que não se formou do nada, da mesma forma que não se vai assim. O que me manteve sã, se é que é possível dizer que estive assim tanto antes quanto agora, foi um sentimento de paz interior que escarafunchei dolorosamente para encontrar. E tenho lutado pra manter em contato. Como pode a gnt se afastar tanto de si habitando o mesmo corpo? 

25 julho, 2022

Desejo

Eu queria te mandar tomar no cu.
Eu queria
Eu queria estar desejando que você se fode-se pra lá 
Eu queria mesmo

Minha amiga falou para te mandar luz 
“Quando pensar nela manda luz”
Minha prima disse que diante das circunstâncias 
“Não facilitou muito”

Eu não tenho nada pra te enviar 
Hoje bateu vontade de te mandar afeto 
Dizer que apesar de você eu to aqui sendo eu 
E deixei quieto, eu não tenho nada a te dizer 

Eu vou ficar aqui
Sendo eu 
Exaltando esse amor que acabou
Cuidando para a ferida curar  

É isso que eu desejo


Sem título


 O cursor fica piscando no início da página e aquele texto de pensamentos confusos não me sai da cabeça. Literalmente não sai. O cursor e eu somos a mesma coisa, ele fica ali parado, piscando, e eu encarando ele piscar enquanto visito esses sentimentos emaranhados e tento pinçar uma frase. Não cabe num tweet. Abre um post, tamborila os dedos no teclado... Encara o cursor piscando na folha em branco. Divaga sobre ele, sente-se ele. NADA. Esse é o sentimento. O cursor piscando no início da página, potencialmente contendo tudo e esperando parado&inquieto algo sair. Não sai. Não sempre.

Não tem poesia, não tem tweet que expurga isso. Tento, na esperança de vir aqui, que eu possa matar um pouquinho disso em mim. Transmutar, transformar, transcender. Talvez sejam palavras melhores. A verdade, é que eu não sei o que dizer, não há mais, as cortinas fecharam e as luzes foram todas apagadas. Não há quem vá ouvir. Ela não está mais lá. Só sobrou eu na plateia. Assistindo-a partir. Eu gosto de contemplar o espetáculo, digerir e partir sem resquícios, se possível. Depois que as cortinas fecham a gente respira. Às vezes voltam pra salva de palmas, às vezes é um fim absolutamente silencioso e ensurdecedor. "Acabou?"

Outro dia eu tomei duas taças de vinho e vomitei. Eu fiquei tão feliz! Eu sei que isso é extremamente perturbador, mas não se assuste. Eu só pensava em como queria estar vomitando e colocando pra fora toda esse enjôo pesando meu estômago. Eu queria estar vomitando você, te pondo pra fora, ainda que de forma perturbadora e doída. Eu só queria te pôr pra fora de mim, sua presença ou o que sobrou da tua ausência barulhenta.

Me custou muito ser a mulher quem eu sou, em essência. Isso tudo que você tá vendo, ou já viu. Intensidade, força, delicadeza, drama, humor duvidoso, dificuldade em demonstrar "fraqueza"... Acredito às vezes que o traço de apaixonamento pode ser o mesmo de desapaixonamento. 

- O que você pensa disso, baby?

18 julho, 2022

Pós terapia, pôr do sol e anoitecer


A sensação da pós terapia. Ou a sensação do suor secando no rosto após correr para chegar, ou a sensação do vento no rosto, revelando o caminho por onde as lágrimas percorreram. Nítida lembrança que mesmo saindo daquele prédio catártico respirando fundo, o choro (por muitas vezes entre soluços que intensificam tal respiração profunda) esteve ali. Aquilo foi dito, aquilo foi exposto. Dedo na ferida. Durante aqueles 50 minutos sangrou a-bun-dan-te-men-te. Nem sempre o pós choro, mas quase sempre ele. Somado à insistente hora do final do dia, quase todas minhas sessões me colocam a ver o sol se pôr. Na epifania de milhões onde tudo se sente mas quase nada tem um nome, endereço ou destino, é tudo um caos mas ainda é possível respirar fundo e sentir a lágrima ou o suor secar. 

Todo dia o sol nasce e se põe, a lua também. Mas nem sempre eu vejo. Admito que não os ver naqueles dias em que o sentimento é de ser um grãozinho de arroz no universo infinito não é de tudo ruim, mas necessário. Também há aqueles em que há um respiro de vida: você também merece ser feliz! 

Os dias vem e vão. Ponto final. Não se repetem. É um após o outro. E tudo pode mudar a qualquer hora, mesmo que não mude. Pode. E é como aquele quadro das escadas do Escher que eu gosto, de ponta cabeça de qualquer perspectiva. Entre bads e mini respiros que quase lembram a sensação da esperança na felicidade novamente, seguimos. Tu é forte, José. O tempo passa. 
Não é que eu não ache que serei feliz de novo. Eu sei que vou. É sobre me permitir sentir e processar, e achar que entendi, sentir e digerir de novo. Falando em digestão essa náusea constante e perda de apetite poderiam ir embora, ein querida histeria? 
Eu sei que vai passar, que toda merda vira adubo (se procurar bem acha um texto meu antigo com essa frase naquela adolescência dramática e pseudo poeta). Mas é sobre sentir o que tiver que sentir, sem se entregar e sem fugir. Assim os dias vem, cada um do seu jeito, e vão. Essa é a minha essência. Isso é o que há de mais puro em mim. Desde que conheço minha consciência. Sartre diz que a existência precede a essência. Eu não acredito que tem algo inato, eu acredito que existimos e imprimimos ações no mundo, e ele na gente. Ah se não cuidar. Essência é coisa pura, vem de dentro, é íntimo e delicado. É preciso tomar cuidado com possíveis perigos.

Eu precisava voltar a escrever. Vomitar esse enjoo que não é literal. Mas como diz o rodapé desse site, o processo não é fácil: sangra muito, ferida aberta no peito exposta. Respira fundo, pega vento no rosto e lembra de deixar a ferida bater vento também. Dói para um caralho, mas passa. Enquanto houver poesia pra choramingar, haverá esse espaço, esse colo de mim para mim mesma. Não falo de escrever, mas de me permitir sentir.

Aos amigos que ficam: escreva escreva escreva além de outros recados e a própria analista. Tá aí. Um pouquinho do meu vômito moldado. 

14 maio, 2020



Aos apressados, aos impacientes, ao atrasados e aos descontentes. Àqueles que correm, põe pé na frente de pé, aceleram o passo, xingam o trânsito, atravessam a um metro da faixa. Aos que gritam aos celulares, ao que tamborilam os dedos sobre as mesas e aos que não param pra respirar, espiar, só sabem piorar.
Pra os que nunca olham da janela pra ver o sol nascer, ou àqueles que engoliram o café e esqueceram do bom dia. Àqueles trancados dentro de muros, de salas, de pessoas, trancados dentro de si mesmos e nunca percebem o sol se pôr ou a lua chegar. Sorrateira, transforma azul bebê em céu rosado, violeta, azul um tom mais escuro, azul alguns tons mais escuros. Àqueles que nunca viram a primeira estrela aparecer ou a lua se encher. Aos que nunca olharam pro céu pra reconhecer constelação e perceberam que quanto mais concentrado é o olhar, mais ele se expande, estrelas se multiplicam e se espalham diante de nós. Aos que se perderam admirando o vasto e interminável horizonte. Aos intermináveis papos de fim de tarde e o entardecer do céu, da alma na gente.
Cada milhar existente das impacientes cegueiras, que nos fazem passar apressados e ignorantes sobre as coisas miúdas e belas da vida, compenso ao esboçar um sorriso que não dura nem três segundos, mas que enche a vida de graça para mais três dias da irredutível corrida para a imensidão bruta e inalcançável da vida.

08 setembro, 2016

Ressaca



Acordei no meio da noite, boca seca, cabeça latejando
Troquei o sofá pela cama, sem ganhar nenhuma fama
Olhos marejados, colchão dividido
No meu peito alimentava-se um grito

Despertei com a insônia de um bêbado
Que sem pretensão buscava consolar um coração
Talvez só o estômago revirado
Por tantos tropeços acumulados

A ressaca é misto de sensações
Ninguém a sofre sem nenhum ganho
Ou a sobrevive sem um belo banho
Balde de água fria, café forte e realidade

Seja de amor, bebida ou mar
Certamente vai doer até passar
Dizem que nada como uma cerveja gelada
Pra equilibrar o álcool e manter de pé a (c)alma

03 setembro, 2016

Embabacar

Amar é embabacar, tenho cada vez mais certeza disso
Seguir com os olhos, não desviar o pensamento, ficar estagnada com tal sorriso
É sem querer
E mesmo assim re-ple-to de quereres
Vários deles urgentes, emergentes, chego a quase ficar doente

É o olhar um pouquinho mais brilhante e um sorriso estampado no canto da boca que não se rende
É falar com ar de riso
Admirar com cara de bobo
Um carinho imenso sem explicação
Uma saudade imediata sem solução

A bochecha dolorida no fim do dia
O coração leeeeve, já nem mais sentia
Não há quem releve, se apaixonar é virar tiete

Ai titia
Onde fui me meter
Como faz para resolver
Esse sorriso que não quero desfazer

Digo, repito e insisto:
Embabacar é tão gostoso
Que já nem ligo pro juízo

História cronológica e escrivança de boas lembranças

Era tudo novo e estranhamente familiar
Eu não entendi o que aconteceu, de repente eu tava com um sorriso de orelha a orelha na cara
Te xingava naturalmente como se fosse uma das pessoas que mais amava na vida
E de repente, sem nem pedir licença, se apropriou do espaço com toda autoridade

Obviamente sabia que não era só mais uma, me impressionou sua liberdade
Me ofereceu xarope, amor, diversão, e entre isso, que I would never gonna be alone
Foi de graça, na lata
Bateu, aconteceu, a coisa menos premeditada

Posso dizer que tremi, embrulhei o estômago, perdi um pouco a realidade e suei
Nosso primeiro beijo tão errado, minha impulsividade, nossa falta de tato...
Boato! Ouvi rumores que se acertaram de imediato
A cada beijo um infarto, mal aguenta seu sorriso meu pobre miocárdio

E agora toda essa escrivança, querendo poematizar cada nítida lembrança
De todos os frios na barriga, tem um que não passa
Não adianta o que faça
É o som do seu carro estacionando em frente minha casa

07 fevereiro, 2015

Enquanto existir poesia para choramingar

Cai o mundo, eu persisto
Pisam forte e eu insisto
Perco o caminho, o ninho, a razão
Perco inclusive a mim mesma nesse apagão
Quando apagam as luzes eu paraliso
E eu lá sou doida de pisar onde não vejo? Não piso!
Quem não se mexe no escuro não tropeça em nada
E também não sai do lugar...
É preciso parar pra tomar fôlego e continuar
Empurrar a perna adormecida pra frente, forçar-se a andar
Não teve mais água nem pra chorar
Algo aqui dentro secou quando o mundo decidiu desabar
Não tinha nem mais palavras melancólicas pra confortar
Poesia alguma pra abraçar, fazer de apoio, extravasar
Nem vontade, ou choro, ou grito
Não houve nem eu mesma querendo achar a melhor forma de lidar com tudo isso
Só uma coisa me deu esperança, quando apareceu de maneira peculiar
Essas rimas bobas, tudo no infinitivo, querendo ajudar
Sei que a coisa tá feia, tá difícil melhorar
Mas eu ainda mantenho uma centelha de esperança 
Enquanto existir poesia nem que seja para choramingar



05 outubro, 2014

Só de sacanagem

Elisa Lucinda

"Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam
entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo
duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus
pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e
eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança
vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança
vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o
aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus
brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao
conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e
dos justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva
o lápis do coleguinha",
" Esse apontador não é seu, minha filhinha".
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido
que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca
tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica
ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao
culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do
meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo
o mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse
o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu
irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a
quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o
escambau.
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde
o primeiro homem que veio de Portugal".
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente
quiser, vai dá para mudar o final!"

01 outubro, 2013

Remar, re-amar, amar

de Caio Fernando de Abreu


"Já não sei dizer se ainda sei sentir. O meu coração já não me pertence, já não quer mais me obedecer! Parece agora estar tão cansado quanto eu. Até pensei que era mais por não saber que ainda sou capaz de acreditar. Me sinto tão só e dizem que a solidão até que me cai bem. Às vezes faço planos, às vezes quero ir para algum país distante e voltar a ser feliz! Já não sei dizer o que aconteceu se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu. Se meu desejo então já se realizou o que fazer depois, pra onde é que eu vou?
Eu vi você voltar pra mim; Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica, o que for. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças!Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar."

28 setembro, 2013

"Faça Desse Drama" - 5 A SECO


"Onde a curva do amor findar
Corte que não quer fechar
Ande onde a onda te levar
Se naufragou, faça desse drama sua hora"





20 julho, 2013

A menina pintora

A menina calada pinta a boca de vermelho
a menina que nada fala pinta a saída da alma em meio a devaneio
a menina que tudo observa admira com olhos atentos
a mesma tal menina expõe com pinceladas o que vem de dentro

A menina é retida, contida, esparramada
a menina é, creio não haver melhor palavra: estabanada
chora com a alma, sente com os olhos, se atrapalha com os pés
e mesmo sem saber, entender ou deter, se adapta às marés

Ela fala, e disfarçada, se destaca da massa
a moça-menina tão distraída enquanto passa
e enquanto resiste, e enquanto persiste
a moça-menina que enquanto sonha, existe!

02 abril, 2013

O Tom do amor - Paulinho Moska



O amor vai te contar um segredo
Não precisa ter medo
Nem sair correndo
O amor nasce pequeno
Cresce, fica estupendo
Às vezes o amor está ali
Você nem tá sabendo
O amor tem formas, formas, aromas,
Vozes, causas, sintomas
O amor...
É mãe, é filho, é amigo,
Às vezes num canto esquecido existe amor
Antigo, antigo
O amor que cuida, parte e assusta
Que erra e pede desculpas
Às vezes o amor quer ferir
E se cura doendo
O amor tem formas, formas, aromas,
Vozes, causas, sintomas
O amor...
É pausa, silêncio, refrão
E explode nessa canção
O amor vai te contar
Um segredo, fica atento, repara bem
Que o meu amor é todo seu
Antigo.

10 março, 2013

Quando eu me for, me chame


Se eu for embora, se eu sair, se eu faltar: me chama
Se eu chorar, se eu argumentar, se eu tentar: me ouça
Eu tenho uma necessidade infantil de ir embora para que sintam minha falta

Olha, não tenho orgulho, te grito quantas vezes precisar
Mas se alguma vez nos virarmos as costas e eu não te gritar: me grite!
Me grite porque mora em mim uma insegurança estúpida que faz disso necessário
Que faz do sentir a minha falta, do me chamar, do me procurar: seguro!

Se eu for embora, se eu não voltar
Como ato inusitado, como inesperado
Espero insegura que me chames

Para que eu possa sentir
Para que eu possa confirmar
Para que eu tenha a certeza que não só sinto falta, mas a faço

Para que esse medo idiota de ser indiferente me abandone
Porque, olha, é tão ruim quando não me chamam
Quando não me sentem falta
Quando para comigo não me qualifica o "indispensável"

Se um dia eu for embora, virar as costas, mas sem parar de falar
Se um dia em for, se um dia eu for e não mais voltar
Me busque, estarei na esquina engolindo os soluços frustrados
Estarei na calçada percebendo a falta que não faço, com os olhos marejados

01 março, 2013

Porque amar sem Vinícius é amar sóbrio demais



Soneto do Amor Total 
(Vinícius de Moraes)


"Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude. "


Meu soneto preferido de Vinícius.
E na foto: mon amour!

18 fevereiro, 2013

Felicidade pela tristeza

Ás vezes fico triste. Fico triste e sei que posso dar a essa tristeza um quadrilhão de nomes, desculpas, porquês. É o fim da escola, é o não passar no vestibular, é o pai, a mãe, a tpm e o falatório do mundo em volta. Porque o mundo, olha o mundo... é de uma poluição sonora horrenda! Eles gritam, cantam, batem, martelam, perfuram, espremem, cortam, lixam, morrem. Morrer é silencioso. Imagino que quando a gente morre o espetáculo tem tempo diferente pra gente, uma perspectiva quietona, lerdona, tipo novela. Acho que morri. Morro muitas vezes, mas morro sempre que vejo que não há desculpas pra esse nózinho na garganta doído que aparece de repente. É uma tristezinha que tem seus tipos, e esses tipos me estapeiam na cara atônita, na cara cansada, com a face arruinada, calada, morta.
Essa minha imensa mania de ser eu me cansa. Tão mais fácil ser outro. Outras preocupações, outras pessoas, outras vidas, afazeres. Se ocupada, atolada. Se vazia, entediada. Um escritor, cujo nome não me lembro, muito menos a citação exata, disse isso. É preciso ter o amargo para valorizar o doce, e vice-e-versa. É essa nossa eterna mania de pôr a felicidade inalcançavelmente longe do toque. Tem outro poeta que disse isso, Vicente de Carvalho:


"Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada:
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa, que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim : mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos."

 

Sei lá onde estou onde pus a danada, tô procurando, vou achar! Porque creio que felicidade mora em cristaizinhos pequeninos, cada coisa, cada gesto, cada pessoa nos traz um pouco de felicidade e estar feliz é conseguir o arranjo sincronizado e harmônico do todo, montar esse tal monumento da felicidade geral com estes cristaizinhos. Satisfação.

12 fevereiro, 2013

"José"

Poema de Carlos Drummond de Andrade,
 poema que mareja os olhos do José que vive em mim, em todos nós.
E que cutuca o coração do José que não continua,
 mas também não morre.




              "E agora, José?
              A festa acabou,
              a luz apagou,
              o povo sumiu,
              a noite esfriou,
              e agora, José?
              e agora, você?
              você que é sem nome,
              que zomba dos outros,
              você que faz versos,
              que ama, protesta?
              e agora, José?

              Está sem mulher,
              está sem discurso,
              está sem carinho,
              já não pode beber,
              já não pode fumar,
              cuspir já não pode,
              a noite esfriou,
              o dia não veio,
              o bonde não veio,
              o riso não veio
              não veio a utopia
              e tudo acabou
              e tudo fugiu
              e tudo mofou,
              e agora, José?

              E agora, José?
              Sua doce palavra,
              seu instante de febre,
              sua gula e jejum,
              sua biblioteca,
              sua lavra de ouro,
              seu terno de vidro,
              sua incoerência,
              seu ódio - e agora?

              Com a chave na mão
              quer abrir a porta,
              não existe porta;
              quer morrer no mar,
              mas o mar secou;
              quer ir para Minas,
              Minas não há mais.
              José, e agora?

              Se você gritasse,
              se você gemesse,
              se você tocasse
              a valsa vienense,
              se você dormisse,
              se você cansasse,
              se você morresse...
              Mas você não morre,
              você é duro, José!

              Sozinho no escuro
              qual bicho-do-mato,
              sem teogonia,
              sem parede nua
              para se encostar,
              sem cavalo preto
              que fuja a galope,
              você marcha, José!
              José, para onde?"

06 fevereiro, 2013

Sobre músicas fofas na madrugada



Há algum tempo atrás, depois de assistir um bom filme teenager americano ou então ouvir uma bela música fofinha eu podia ficar por horas parada, imaginando um amor impossível, um amor platônico, um futuro recheado das mais diversas cenas dignas de filme americano, de comédia romântica pra ser mais exata.
O tempo passou, deixei de assistir boa parte desses filmes, fui vivendo a parte da "desilusão amorosa" do roteiro. Desacreditando, preferindo procurar e acreditar numa realidade mais fria, mais racional, menos sonhadora, detalhista, sorridente e apaixonante. Convenci eu mesma a deixar de lado os sonhos utópicos, as vezes em que rolava na cama antes de dormir imaginando mil e uma situações. Acabei por ganhar de mim mesma na batalha, o lado um-pouco-mais-realista ia tomando espaço, plantando e enraizando suas ideias.
Hoje essas músicas, esses filmes continuam ainda a mexer comigo. Hoje no final feliz de cada um desses filmes, quando toca uma música feliz e animada para nos convencer de que o filme foi ótimo e adoramos, eu sinto um aperto enorme. Talvez eu pudesse dizer que é saudade, mas não é. Ou não, é só saudade. Hoje no fim de cada filme ou no percurso melódico de cada uma dessas musiquinhas apaixonantes, sinto dentro de mim a agonia de não conseguir externar o suficientemente o que sinto, não conseguir (nem mesmo gritando) dizer alto o bastante o que sinto. Entender, nomear, rotular, explicar, exemplificar, justificar.
Hoje, em cada momento desses que para  mim já significaram tantos outros sentimentos mais, sinto a agonia de amar. Sim, porque amar é agonia pura. É aquela coisa chata (porém amável) que se instala em você e não te permite etiquetar ou externar. Hoje, a cada musiquinha fofa que ouço tocar na rádio eu penso em você, e como não sei nada de nada. Mas que também não quero saber, por mais que eu queira, e quero, e quero muito! Eu fico aqui pensando, agoniada, suspirando, variando entre os pensamentos. Que bicho me mordeu? Poderia jurar ter sido um zoológico inteiro! Mas não há bicho, não há razão, não há nem palavra que complete ou nomeie. Poema, texto, imagem, frase ou gesto. E isso só cresce, e cresce. E eu? Eu só agonizo, agonizo, e me torno casa desse monstruoso amor. Mas amor também não é a palavra, não é o bicho.
Às vezes, e isso acontece com alguma frequência, nem o verbo amar me parece suficiente, nem se gritado. Parece tudo tão grande, alegórico e conhecido. Mas mais uma vez, não é. Se algo aqui é, se algo aqui existe, é essa agonia do "eu te amo" não expressar o suficiente.
Continuo na busca, quero achar algo que diga tudo. Que se encaixe, mas sem fronteira, pro bicho crescer em paz, até me explodir se preciso. Mas continuo na busca, quero achar essa palavra, gesto ou esse ovni que vá representar meu amor, meu bicho, minha agonia.
Eu te amo, e mesmo isso não sendo o suficiente para dizer tudo o que quero, é, por ora, o melhor que eu tenho pra te dizer agora.

01 fevereiro, 2013


Outro dia entre a correria e mais correria causada por motivos de: ser enrolada, aconteceu algo muito interessante e que agora junto ao que acaba de me acontecer, não posso deixar de contar a quem me lê. Leitores invisíveis que acabo de constatar que existem. Sim, você aí que me lê, eu tenho dúvidas da sua existência!

Lá estava eu, sendo fodida ferrada pela burocracia infernal de um cartório. Choramingando ao carinha que me atendia para que conseguisse abrir uma maldita firma em meu nome. Enquanto tagarelava e enchia o ser de desespero, eis que o bendito diz: "Olha, eu sei que você é gente boa. Eu te conheço e tal, mas não posso fazer, sua identidade tem que estar em dia...".
Depois de mais uma dose do chororô pela validade da minha carteira de identidade é que caio em mim e me pergunto: "Como assim me conhece?! Nunca o vi mais burocrático!".
Foi quando de tanto insistir ao perguntar de onde conhecia o carinha que estava me atendendo e me fazendo choramingar pela identidade vencida, ele disse: "Você não é dona daquele blog, Uma Louca Pede Help?".
Gente, vocês tem noção do que foi isso? Alguém, de quem nunca vi o rosto, de repente ao me atender no cartório me reconhece pelo blog? Ok, vocês não devem saber o que é isso, ou o que isso provoca em mim, mas sei que fiquei boquiaberta. Alguém "reconhcendo" meu trabalho... Ok novamente, isso de trabalho não tem nada, não ganho por isso, escrevo por prazer, mas olha, fiquei pasma, muito feliz. "Três anos e um desconhecido me reconhece na rua. Nada mal, Caroline!".

Hoje casualmente uma amiga falou do meu blog, e de como ela acha que escrevo bem. Acho incrível receber elogios sobre o que escrevo, meus escritos são a parte de mim mais verdadeira e exposta que alguém pode conhecer. Mas quando esse elogio vem de alguém próximo, de alguém que não tem o costume de ler o que escrevo no blog pela obrigação de me ser próximo, parece que pesa mais.
Já fiz amigos virtuais e amigos reais que me foram dados pelas palavras que aqui posto. Nada como a sua alma transfigurada em versos públicos para que alguém se identifique e compartilhe da dor, do amor, ou do vazio. Aos amigos que me leem, um imenso obrigada. Não to me achando nada por favor, mas tenho que agradecer aos que me leem. Não que estejam prestigiando um grande poema, um belo texto, mas estão me encorajando a escrever, a continuar. Escrever é uma forma de se contornar, se conhecer, usar do tato intelectual, mas se não houvesse público talvez eu não escreveria. Talvez eu não sentisse a necessidade de me por em frente a folha em branca e tratar com honestidade o que sinto.
Hoje recebi um dos elogios mais lindos que em 3 anos de pseudo-blogueira já recebi, deixo ele guardado aqui. E que eu escreva e possa tocar ainda mais amigos, seja com lágrimas, esboços de sorrisos ou gargalhadas (acho que nunca), é muito saber que alguém do outro lado pode se identificar e se emocionar com algo tão meu.

"Então, sabe quando alguma coisa tem aquele "gostinho de casa"? Aquela sensação de conforto e tranquilidade, o tipo de coisa que a gente só da atenção realmente quando volta a dormir no nosso proprio quarto depois de seculos viajando? Acho que ja faz tanto tempo que me acostumei com o que voce escreve, que cada palavra lida me traz essa sensação. Cada texto se encaixa nas minhas situações de uma forma tão suave... Mesmo se as vezes eu passar meia eternidade sem ler ou ouvir uma palavra sua, é só ir pro seu blog que cada frase, versoou vírgula que seja carrega sua voz, seu olhar sério mas que, no fundo, traz aquele brilho sonhador, brilho de menina-mulher, brilho de esperança. Por isso que o que voce escreve sempre me deixa inspirada, é porque vem de você. Ok, nunca fomos muito próximas, mas dizem que quando alguém escreve assim, as palavras saem do coração, e o seu olhar transmite isso. Por isso sinto que conheço voce mais intimamente, apesar de nunca ter muita coragem pra aprofundar uma conversa, ou nossa amizade. Minha timidez ainda lança barreiras ao meu redor.. Enfim, sua escrita é terrivelmente adoravel, voce tem um olhar detestavelmentee inspirador, e é uma pessoa que me traz esperança. Esse é um dos momentos em que eu precisava de esperança, e voce me trouxe isso mais uma vez, mesmo sem querer. Obrigada por isso, e obrigada por escrever tão bem. E eu espero ter feito algum sentido." Um "Oi, muito obrigada" especial pra Bruna Burgos (que fez o comentário acima), para Miriam Paim (uma fofa que esbarrei na internet por causa do blog) e pra Isabelle Freitas (a chata mais chata do mundo, que espalha meu blog pra todo mundo e me faz mais feliz ao descobrir "admiradores" pro ái)!