23 dezembro, 2012

Discurso, 3º ano - COLÉGIO ÚNICO


Como oradora da turma do terceiro ano de 2012, dividi a missão de falar pela turma com a Letícia Falcão. No link a seguir o discurso dela, e a seguir o meu.
*Discurso da Letícia



Verbo ser
Carlos Drummond de Andrade

"Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia o ser quando cresce?
É terrível ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: ser, ser, ser, Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado à? Posso escolher?
                                                          Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer."




Desde pequenos somos bombardeados por milhares destas perguntas, e a cada umas dessas damos milhares de respostas diferentes. Seríamos astronautas, pilotos de carro, modelos, cantores, artistas. Quando criança era fácil responder a pergunta, difícil era eleger a melhor resposta.
Os anos se passaram e essas perguntas não se tornaram menos frequentes, ao invés disso começaram a pesar. O que é ser afinal, como muito propriamente questionou Drummond? Somos a nossa profissão, será? Somos nossos amigos, nossos parceiros, nossos filhos? Somos o reflexo que vemos hoje no espelho?!
Antecipando-se a Freud, Shakespeare dizia que o homem é feito da mesma matéria de seus sonhos. Se somos feitos de sonhos, desenfrearemos-nos a sonhar! Somos, hoje, não apenas os sonhos mais recentes que trazemos conosco, mas somos também todos aqueles sonhos que um dia passaram por nós. Somos, em suma, tudo aquilo a qual nos expusemos a ser. Somos filhos, meninos, meninas, altos, baixos, cristãs, anglo-saxões, budistas.  Somos a aula de balé que um dia fizemos, a natação a qual dedicamos anos e aquela arte marcial que nos aventuramos a começar. Somos as pessoas que conhecemos, os amigos que fizemos, os que passaram, os que permaneceram e os que virão.  Somos a escola onde estudamos e um amontoado de tudo que aprendemos até hoje.
A perguntar “o que vai ser quando crescer?” talvez assuste, mas tenho claramente a ideia de que quem teve aula com Samuel sabe que conhecer seu passado é induvidavelmente saber o que queremos para o futuro. Como o próprio professor incontáveis vezes citou: “a história na mão e a certeza na frente”.

Hoje nos formamos, acabamos um estirão de chão que começou há bons anos atrás. Passamos pelas mais diversas situações, choramos e sorrimos muitas vezes escondidos, outras vezes juntos. Fizemos amigos que levaremos pra vida, tomamos para nós exemplos que nos guiarão  neste novo sonho que começamos a construir hoje, junto com todos aqueles outros que trazemos na bagagem. Entre tantas diferenças, alguns gritos e muitas risadas, o que fica guardado em nós é cada vez mais puro, bonito e digno de lembrança feliz, aquela lembrança que causa sorriso quando vem em mente.
Conhecemos nesta nossa caminhada pessoas maravilhosas, direciono nosso eterno obrigado à equipe Único, sem a qual não seríamos o que somos hoje e o que seremos amanhã.  O Único – colégio de gente feliz, nos abriu as portas que precisávamos, e nos deu a certeza do que somos ao nos proporcionar a liberdade de nos criarmos e nos reinventarmos sempre que preciso, ensinando-nos da melhor maneira possível a ter responsabilidade. Tantas vezes ouvimos o Marcelão nos dizer “liberdade com responsabilidade”, e hoje constatamos que a promessa foi cumprida.
Mas o discurso do Único vai além, uma monografia não seria capaz de dar suporte a todas coisas maravilhosas que descobrimos e aprendemos a lidar enquanto alunos de um colégio como este. Se somos todos os sonhos que um dia tivemos e todas pessoas por quem um dia passamos, orgulhosamente digo: sou Único!  E todos somos, e todos os que já passaram por aqui são. Somos o bom dia do Samuel, a inspeção de uniforme da Tânia, a gargalhada do Marcelão, o sorriso escondido atrás da face emburrada do Zé e o grito escandaloso do Chico. Somos o amor que recebemos invariavelmente a cada dia de aula, com os melhores professores que poderíamos ter. Apenas quem já passou pelo Único reconhece o sentimento que nos toma neste momento ao sermos formados pela escola de sonhos que, afinal, um dia também foi um e pelo esforço daqueles que acreditaram neste sonho, este ano completa 15 anos.

Ser Único é saber que além do dispensável rigor com a roupa que usamos, mora o aprendizado enraizado no amor e nos laços fortes provenientes deste. Ser Único é viver sem a vergonha de ser feliz e saber cantar a beleza de ser um eterno aprendiz.  Nos formamos hoje, mas não fomos apenas graduados no ensino médio, nos formamos em ser Único, e nunca haverá diploma que se sobreponha a este.

Ao Único, meu eterno obrigada pelo aprendizado que levarei pra vida, obrigada por encherem meus olhos de vida e me permitirem ser, assim como cada um de vocês, ÚNICA.

Parabéns por serem ÚNICOS, e que venham mais 15 anos!

Um comentário:

Epinephrina disse...

Sdds Unico =]